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Du Jourdain au Congo : um encontro entre a arte e o cristianismo

 

Século XV: os navios portugueses efetuam várias expedições pelo continente africano. A chegada a África foi para os Portugueses como descobrir um Éden, um Éden repleto de minerais e de ouro e sobretudo a oportunidade de manter o monopólio do comércio de ouro africano. Esta curiosidade levou Diogo Cão a explorar o rio Congo em 1482. 1482 foi um ano fulcral, pois marcou o encontro entre os navegadores portugueses e os povos do vasto reino do Kongo. Esse território estava constituído pelos atuais Gabão, Angola, República Democrática do Congo e o Congo, uma variedade de países e sobretudo de etnias. Essa diversidade reflete-se nas artes desses povos, sobretudo a mestiçagem à qual foi sujeita durante o período de colonização europeia.

A exposição «Du Jourdain au Congo, Art et christianisme en Afrique Centrale», sedeada no Musée du Quai Branly, dedica-se pela primeira vez à influência que tiveram o cristianismo e a iconografia cristã na arte e na cultura Kongo. Esta exposição foi comissariada por Julien Volper, Doutor em História das artes e conservador especializado na África subsaariana no Musée royal de l’Afrique Centrale de Tervuren, e está exibida desde o dia 23 de novembro de 2016 até 2 de abril de 2017.

Este encontro entre dois povos originou uma produção inédita de objetos religiosos nos quais transparecem as influências de ambas culturas. Uma produção inserida num marco temporal determinado: a partir do século XV, século dos “Descobrimentos” e da crescente divisão do mundo entre os reinos de Portugal e Castela, até ao século XX, século das “Grandes Guerras” e das guerras de independência. Encontram-se exibidas uma centena de obras de inspiração cristã, pertencentes a coleções privadas e públicas europeias.

Crucifixos, esculturas, pingentes, gravuras e desenhos, testemunhos desta mestiçagem, mas sobretudo da relação de poder e de influência entre os missionários e os nativos. Trata-se de uma relação de influência, porque embora a iconografia cristã tenha influenciado a arte kongo, a sua reinterpretação por parte dos artistas locais demostra a existência de um diálogo intercultural. Embora os missionários católicos «tenham imposto» a sua religião, cabe destacar o sincretismo religioso que se originou através não só da transformação das práticas católicas, como dos próprios objetos religiosos criados pelos artistas nativos, entre os quais se destacam as figuras de Cristos femininos e com rasgos africanos.

Esta exposição é a ocasião idónea de descobrir uma exposição inédita. Visitá-la é descobrir uma nova cultura – a cultura kongo – e de certa forma, romper os esquemas, porque não se trata de observar qual foi a influência que teve o catolicismo nela, senão a relação, o diálogo constante que mantinham. Visitá-la é viajar, não só no tempo como no espaço, pois dá-nos a conhecer uma cultura e uma arte rica e diversa.

 

Tarifa plena: 10 €

Tarifa reduzida: 7 €

Musée du Quai Branly – Jacques Chirac

37, Quai Branly

75007 Paris

Até 2 de abril 2017

 

Patricia Cabeço

Fontes: http://quefaire.paris.fr/ , http://www.quaibranly.fr/