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Encontro com Daniela Martins

Daniela Martins nasceu em Portugal em 1987 e cresceu numa dupla cultura, visto que em 1992 imigrou para o Luxemburgo. Aos 22 anos, participou no reality show francês, Secret Story e um ano depois, foi candidata na versão portuguesa. No entanto, a sua carreira não se limitou aos reality show, pois decidiu lançar-se numa carreira teatral. Cheia de garra, lutadora e muito ativa, a atriz participou em vários projetos e é atualmente autora de várias comédias, repletas de energia e de intriga que não deixarão de surpreender o espetador.  

 

Cap Magellan: Imigrou para o Luxemburgo quando ainda era uma criança, no entanto sempre manteve uma forte ligação com as suas raízes. O que significa para si a palavra «lusofonia»?

Daniela Martins: Para mim, a palavra lusofonia significa família, raízes. Nasci e fui criada em Portugal até aos 5 anos e ainda agora vou para lá todos os anos para ver os meus avós, porque foram eles que me criaram visto que os meus pais trabalhavam muito. Portanto, ainda estou muito ligada a Portugal e pratico também a minha língua.

CM: Acaba de ter uma menina em setembro. Qual seria o vínculo que gostaria que a sua filha mantivesse com Portugal?

DM: Tento falar-lhe um bocadinho em português, os avós só lhe falam em português, mas não é fácil, porque vivemos em França e porque o pai dela é francês. No entanto, espero que ela também possa continuar a ir todos os anos a Portugal como eu e que mais tarde também obtenha a dupla nacionalidade, porque acho que é importante visto que por enquanto ela só tem a nacionalidade francesa, mas é antes de tudo portuguesa.

CM: Nasceu em Portugal, viveu no Luxemburgo e agora mora em França, dois países onde há uma grande diáspora portuguesa. Na sua opinião, qual é a visão que têm os Portugueses das comunidades portuguesas?

DM: Tanto em França principalmente Paris, como no Luxemburgo, há de facto muitos Portugueses como cá, mas o que eu acho mais engraçado, mais importante e até diria mais forte é que em Paris, os Portugueses falam todos perfeitamente francês, enquanto que no Luxemburgo, eles fazem menos esforços para falar francês e alguns não falam luxemburguês. É o que eu gosto muito dos Portugueses de França, aliás se a gente os vir na rua nem se apercebe que são Portugueses e em casa continuam a falar português e a guardar as raízes deles. E isso é realmente fantástico!

CM: Começou há algum tempo a sua carreira teatral. Como foi o salto do «reality show» para a realidade?

DM: Comecei a ter aulas de teatro, principalmente para melhorar o meu francês, porque no início só falava luxemburguês, francês também, mas não era um francês como agora falo. O francês do Luxemburgo não é nada perfeito. Depois, a primeira professora que tive pensou que eu tinha jeito para isso, encorajou-me muito e deu-me muita força para me lançar no mundo do teatro fora da escola.

CM: É atualmente uma das protagonistas da comédia Quel bordel!. Como nasceu esse projeto?

DM: Foi um projeto meu que escrevi também com outro autor. Nasceu, porque eu fiz bastantes one woman show e havia várias vezes uma primeira parte na qual um humorista vinha representar durante 5 minutos antes da minha chegada. Essa humorista era uma senhora de setenta anos que fazia one woman shows. Achava isso incrível, porque ela com setenta anos ainda conseguia estar no palco a fazer rir pessoas sobre o físico dela. Foi ela quem me inspirou muito na criação desta peça, porque quando estávamos as duas juntas no palco, as pessoas achavam-nos muita piada, devido à nossa diferença de idade.

CM: A Daniela é uma pessoa muito ativa, tanto no cenário como nas redes sociais (Instagram, Twitter, blog) nas quais partilha connosco o seu dia a dia. Projetando-nos um pouco mais além, quais são os seus projetos para este novo ano?

DM: Para este novo ano, tenho uma nova comédia que ainda será representada no teatro Les Blancs Manteaux. Vai ser todas as sextas e sábados às 19:30 a partir do dia 21 de abril. Esta peça chama-se Chérie, c’est qui le patron? e o que posso dizer desde já é que a personagem principal da comédia é portuguesa. A minha inspiração é sempre Portugal. Em Quel bordel!, foi um bocado menos, só houve uma referência a Lisboa, mas nesta nova peça sim. Sempre tento dar um toque luso, nesta, o toque é mais pronunciado porque é o protagonista. Tenho esta e tenho outra que será representada mais tarde, para ser mais exata em outubro. É uma peça com três personagens intitulada Sales gosses, já está escrita, já temos os atores, mas agora falta o mais duro e o mais engraçado que são as repetições. Por isso, ainda nos falta um bocadinho de tempo.

Agradecemos a disponibilidade e simpatia de Daniela Martins e convidamos os nossos leitores a descobrirem a sua nova comédia Chérie, c’est qui le patron?.

 

Cap Magellan
capmagellan@capmagellan.org