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Entrevista com Nelson Ritchie

Nelson Ritchie volta com o Viva la Vida

Depois de quatro anos longe dos palcos, Nelson Ritchie volta com o Viva la Vida.

Nascido em 1987 numa pequena vila da região de Paris, Nelson Ritchie conheceu a música por intermédio de seu pai que é produtor musical. Sobrinho do cantor Tony Carreira e primo de Mickael Carreira, depois de quase quatro anos distante do mundo da música, Nelson está de volta com o seu novo single “Viva la Vida”. Em entrevista à Cap Magellan, o cantor português contou um pouco da sua vida profissional, do novo single, bem como os projetos desenvolvidos durante o tempo que ficou longe dos palcos.

Cap Magellan: Qual foi o seu primeiro contacto com a música?

Nelson Ritchie: Tenho dito que nasci e cresci com a música. O meu pai sempre trabalhou com produção de espetáculos musicais, o dia-dia da minha família era rodeado por cantores, produtores e compositores.  Esse contacto contou significativamente para a minha paixão pela música.  Quando entrei na adolescência, já tocava alguns instrumentos musicais e conseguia acompanhar com a minha voz.  Quando completei 14 anos, o meu pai ofereceu-me uma guitarra e comecei a ter aulas para aperfeiçoar mais os meus conhecimentos. Como eu gostava muito de tocar, em três meses já tocava e lia partituras normalmente. Mesmo tendo muitas limitações, comecei a compor as minhas primeiras músicas inspirando-me em alguns cantores que conhecia.

CM: Por que escolheste sair de França para viver em Portugal ?  

NR: Desde pequeno, dizia aos meus pais que iria viver em Portugal quando completasse os 18 anos.  Sentia-me mais português do que francês. Dos 14 aos 17 anos, o meu pai, produtor de espetáculo, passava mais tempo em Portugal do que em França. Quando completei 18 anos, abriam-se novos horizontes para o meu pai em Portugal. A minha família decidiu mudar-se para Portugal. Eu fiquei muito feliz! Era o meu principal sonho. A minha adaptação em Portugal foi muito fácil porque eu gostava e ainda gosto de cá estar.

CM: Ao chegares em Portugal, como foi para conseguires estar inserido no mundo musical ?

NR: Cheguei em Portugal já com 18 anos, já tinha mais ou menos a certeza que era música que eu queria como carreira na vida. Então, procurei relacionar-me com pessoas ligadas ao mundo da música como produtores, cantores e compositores.

CM: Por que fizeste faculdade de turismo e não de música ?

NR: A minha paixão sempre foi trabalhar com música, mas isso poderia dar certo ou não. Caso não desse certo, eu precisava de alguma coisa para me apoiar. Foi com este pensamento que decidi matricular-me no curso de turismo.

CM: Como surgiu a oportunidade de gravar o CD”Primeiro Sinal” ?

NR: Eu repartia o meu dia entre a faculdade e a música.  Procurava sempre estar no meio do pessoal do mundo musical para que, se encontrasse uma oportunidade, pudesse mostrar o meu trabalho. Nas minhas caminhadas nos estúdios conheci o produtor Pedro Vaz, que estava a trabalhar no primeiro disco de uma amiga. Depois de muito ver e ouvir, identifiquei-me com o modo de produção do Vaz. Um certo dia, no intervalo das gravações disse-lhe que gostava do trabalho dele. Para minha surpresa, ele disse: “Está fixe, vamos trabalhar juntos e agora”.  Em poucos dias, o produtor analisou as minhas músicas e fez alguns arranjos bem como outras composições e entrámos em estúdio para gravar o meu primeiro disco.

CM: Como recebeu o público o “Primeiro Sinal” ?

NA: O “Primeiro Sinal” foi lançado em setembro de 2008 pela editora Espacial.  Tive três semanas intensivas de promoção nos programas de rádio e televisão, bem como apresentação em público. Acredito que o público recebeu muito bem, uma vez que fui vencedor do “Disco de Ouro” naquele ano. Esse reconhecimento deu-me mais energia para continuar.

CM: Como surgiu o segundo disco?

NR: Além de me proporcionar grandes oportunidade, o meu primeiro trabalho deu-me a certeza que poderia ir mais longe.  Não hesitei e decidi produzir o meu segundo disco. Embora tenha gostado muito de trabalhar com o Pedro Vaz no Primeiro Sinal, para o segundo álbum optei por procurar outro produtor, com a intenção de levar ao público algo diferente.  Em julho de 2010 consegui lançar o meu segundo CD com a Sony Music.

CM: Como surgiu o convite para editar com a Sony Music?

NR: Poucas coisas na minha vida surgiram com convites ou oferendas, sempre fui atrás dos meus objetivos.  Eu já tinha o disco gravado; estava a procurar somente uma editora para as publicações, uma vez que o meu contrato com a Espacial tinha terminado. Muito humildemente remeti o meu material para a Sony Music, que foi avaliado e aprovado pelos produtores da editora. Eles acharam o meu material interessante e inovador. Marcámos uma reunião e foi assinado o contrato. O segundo  álbum também abriu mais portas, consegui fazer vários concertos e atendi inúmeros convites para atuar em grandes festas como a Feira dos Santuários, onde cantei para uma plateia de 15 mil pessoas.

CM: Depois do segundo CD, por que optou em lançar somente singles?

NR: Depois de ter lançado e vendido o meu segundo álbum, Portugal passou por uma das maiores crise económica da história e o mercado da arte, em particular a música foi muito afetado e os CDs estavam em declínio, a nova estratégia era de gravar singles. Para não ficar para trás, decidi também entrar na jogada e fui lançando alguns singles conforme surgia e o público gostava. Para divulgação dos mesmos, decidi aproximar-me do público pelas redes socias e não usar os veículos de comunicação de grande massa como era hábito, o que felizmente deu certo.

CM: A que se deveu a sua ausência no mundo musical durante os últimos 4 anos?

NA: Vários fatores fizeram-me ficar ausente do mundo da música. Em primeiro lugar senti que existia e ainda existe uma lacuna no que tange à divulgação da música portuguesa no estrangeiro, e como músico precisava de fazer alguma coisa além de cantar. Decidi então desenvolver e gerir a plataforma Música no Ar.  Em segundo, percebi que precisava de aliviar a minha cabeça em termos de composição musical para voltar mais maduro e escrever de outra forma. Não quero eu dizer que não estava satisfeito com a forma como escrevia, mas necessitava de viver outras experiências e alargar a minha visão em certos assuntos.

CM: Por quê marcar a sua volta com o single Viva La vida?

NA: Depois de muito tempo ausente, senti-me mais maduro para voltar. Por quê Viva la Vida? É o tema também da música principal do single e traz uma mensagem que nos conecta ao contexto atual que a sociedade vive, onde se reivindica e com razão o empoderamento feminino de forma a ultrapassar barreias. Também nos leva à reflexão sobre a importância da mulher na sociedade. Apesar das barreiras, das críticas, preconceitos as mulheres continuam a reivindicar os seus direitos e Viva la Vida!

CM: Quais as dificuldades enfrentadas durante a sua carreira?

NA: Duas grandes dificuldades acompanham-me até aos dias de hoje. A primeira está relacionada com o preconceito que nós os portugueses temos para com a música nacional. Hoje, o público interessa-se mais pelas músicas estrangeiras, isso é triste.  A outra dificuldade é que, faço parte de uma geração de cantores portugueses que infelizmente, não compõe o elenco de artistas que são selecionados para grandes projetos. Existe uma barreira para que novos cantores possam ingressar, isso muitas vezes chega a ser desanimador.

CM: Qual a sua fonte de inspiração no mundo musical?

NR: Tenho várias influências. Gosto muito da música latina. No meu trabalho atual assim como nos anteriores, dá para sentir que algumas músicas têm o toque latino. O ritmo brasileiro também me inspira e muito, inclusive existem alguns cantores como Jorge e Mateus, Thiago Bravo e Mateus e Kauan, dos quais aprecio muito a escrita. Percebe-se que eles contam uma história nas suas canções. Isso é muito bom, deixa a obra mais rica em termo de conteúdo.

CM: Quais são os próximos projetos?

NR: Atualmente, estou a trabalhar em vários singles que darão lugar ao meu novo álbum a ser lançado no próximo ano. Sinto a necessidade de expressar num álbum, tudo o que vivi durante o tempo que fiquei fora da música, bem como mostrar o meu amadurecimento.

A Cap Magellan agradece a disponibilidade e convida os leitores a conhecerem o novo single “Viva la Vida”.

Vasco Suamo