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Marcelo eleito à primeira volta

A surpresa da noite de eleições presidenciais no passado dia 24 de janeiro foi o baixo resultado atingido por Maria de Belém, ultrapassada por Marisa que consolida o crescimento do BE. Marcelo é o quinto Presidente eleito em democracia.

Como era expectável, Marcelo Rebelo de Sousa é o novo Presidente da República. Foi eleito à primeira volta, com 52% e quase dois milhões e meio de votos, numa eleição em que a surpresa da noite foi o baixo resultado alcançado por Maria de Belém Roseira, que se ficou pelos 4,24% bem como o terceiro lugar atingido por Marisa Matias, a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda (BE), que chegou os 10,13%

Sampaio da Nóvoa ficou em segundo, com 22,89%. Em quinto lugar surge Edgar Silva, o candidato do Partido Comunista Português (PCP), com 3,95% dos votos, seguindo-se Vitorino Silva (3,29%), Paulo Morais (2,15%), Henrique Neto (0,84%), Jorge Sequeira (0,3%) e Cândido Ferreira (0,23%).

Falhando a segunda volta, Sampaio Nóvoa atingiu o segundo lugar com 22,89%, sendo assim o candidato mais votado da esquerda e o que mais se aproximou de poder disputar uma segunda volta, não fosse o resultado definitivo de Marcelo Rebelo de Sousa que obteve mais de metade dos votos, sendo eleito para um primeiro mandato com uma percentagem superior às obtidas por Mário Soares em 1986 (51,18%) e Cavaco Silva em 2006 (50,54%).

A vitória de Marcelo Rebelo de Sousa faz-se perante a derrota dos candidatos de esquerda, mas faz-se também perante a derrota do PS e do Governo socialista liderado por António Costa. É linear que o Governo e os socialistas saíram derrotados das presidenciais, mas a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente não pode ser considerada como uma solução adversa a António Costa na sua qualidade de chefe do Governo. Refira-se que o primeiro-ministro conhece o novo Presidente há mais de três décadas, tendo sido seu aluno na Faculdade de Direito de Lisboa, onde se formou. Depois disso, entre 1996 e 1999, enquanto líder do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa negociou diversos dossiers com o Governo socialista de António Guterres, onde Costa era secretário de Estado e depois ministro dos Assuntos Parlamentares. A reacção de António Costa à noite eleitoral revela esse tom cordato e de cooperação institucional. O primeiro-ministro fez questão de “reafirmar o compromisso de “máxima lealdade e plena cooperação institucional”. Saliente-se ainda a preocupação que Costa mostrou em congratular-se por não ter tido sucesso nenhuma das candidaturas populistas.

À esquerda destaca-se o resultado de Marisa Matias, que consolida a posição do BE como terceira força partidária saída das últimas legislativas. O BE mostra nestas presidenciais que se coloca em posição de disputar eleitoralmente com o PS o espaço eleitoral à esquerda.

Se a 4 de Outubro o Bloco atingiu os 10,19% e os 550.892 votos, agora Marisa Matias conquista 10,13% e aproxima-se do meio milhão de votos, numa eleição em que a abstenção (51,16%) foi superior à das legislativas e foi disputada por dez candidatos.

Resultados em França

Aguardando pelos resultados definitivos na Europa e Resto do Mundo, podem-se adiantar os resultados em França que indicam apenas 1719 votantes no seio de 58840 inscritos ou seja só 2,94% dos votantes foram votar. Realidade que não deve esconder a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa em França também com 820 votantes (48,26%) seguido de António Sampaio da Nóvoa com 413 votos (24,31%) e Marisa Matias com 141 votos (8,30%). Todos os restantes candidatos somam 318 votos. O resto são votos nulos ou brancos.

De uma forma geral, a forte abstenção, tanto em Portugal e ainda mais nas comunidades, é o grande facto por lamentar.

 

Cap Magellan

Fontes: publico.pt; DGACCP