Interview de Calema
10 mai 2019
Bem vindo ao BHV Marais
13 mai 2019

Moçambique : uma vítima colateral do aquecimento global

Women rummage through scattered belongings in Chiminimani on March 19, 2019, after the area was hit by the Cyclone Idai. More than a thousand people are feared to have died in Mozambique alone while scores have been killed and more than 200 are missing in neighbouring Zimbabwe following the deadliest cyclone to hit southern Africa. Cyclone Idai tore into the centre of Mozambique on March 14 night before barreling on to neighbouring Zimbabwe, bringing flash floods and ferocious winds, and washing away roads and houses. / AFP / ZINYANGE AUNTONY

Quinta 14 de março abateu-se o ciclone Idai pelo Maláui, Moçambique e Zimbabué. Este furacão foi acompanhado por chuvas torrenciais e inundações violentas fazendo ao menos 650 mortos e mais de 1600 feridos e isto apenas em Moçambique. Este país, que já sofre ventos extremamente violentos e períodos de seca enormes há mais de 10 anos, foi o mais afetado pela situação desastrosa.

O ciclone não só levou casas, escolas, hospitais e estradas, mas também fez com que três milhões de pessoas ficassem desprovidas de água potável. As trágicas consequências dos acontecimentos continuaram semanas depois do desastre, pois, as águas estagnadas provocaram mais de 1400 casos atingidos de cólera, dos quais pelo menos sete foram fatais. De fato, as condições de higiene deploráveis favoreceram a propagação das epidemias o que era infelizmente evidente num dos países mais pobres do mundo.

A cidade portuária da Beira, uma das maiores de Moçambique, com mais de meio milhão de habitantes, é a primeira cidade integralmente destruída devido ao aquecimento global. Por outras palavras, foi riscada do mapa por ter sida destruída a mais de 90 %. A situação releva de uma grande injustiça, pois Moçambique apenas produz 0,14 % das emissões de gazes carbónicos do mundo. Aliás, 90 % da sua produção elétrica é criada através de energias renováveis e 71 % da população vive da sua própria agricultura.

Em termos de ajuda humanitária, diversas organizações colaboraram. É o caso da ONU, que pediu doações até 265 milhões de euros para ajudar a reconstruir infraestruturas e sobretudo porque as necessidades “permanecem profundas” e por persistirem “os riscos de mais inundações, da disseminação de doenças e de perda de mais vidas” como o explicou a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed. Do mesmo modo, a UNICEF também participou pedindo ajuda para o milhão e meio de crianças na precariedade em relação à nutrição, à saúde e à proteção.

Portugal também tomou medidas para ajudar as vítimas. Um apoio financeiro de 150 mil euros junto a 25 toneladas de doações de alimentos, água e produtos de higiene foram entregues nos quartéis dos bombeiros da capital e enviadas, dia 11 de abril, para Moçambique. Além do mais, foram enviadas várias equipas para assistir no local, equipas das quais o governo encontra-se muito satisfeito, tal como o quis mostrar a secretária de Estado da Defesa Nacional, Ana Santos Pinto, durante a cerimónia de receção dos militares portugueses com “palavras de reconhecimento e de orgulho”.

Em suma, em Moçambique, o número total de desalojados em centros de acolhimento aproxima-se dos 150 mil, tendo em conta cerca de 30 mil famílias beneficiárias de assistência humanitária. Com mais de 1,90 milhão de moçambicanos afetados pelos eventos, os danos são comparados, em termo de prejuízos materiais, com oito anos de guerra na Síria.

Plus d’infos

Cindy Pinheiro
capmag@capmagellan.org

 

Hits: 8