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Retrospetiva de Paulo Rocha na Cinemateca francesa

A Cinemateca francesa vai organizar uma retrospetiva da obra do realizador português Paulo Rocha, entre os dias 10 de janeiro e 1 de fevereiro de 2018.

Paulo Rocha foi um dos grandes nomes do cinema português, tendo sido considerado um dos fundadores do Novo Cinema em Portugal, um movimento vanguardista dos anos 60, inspirado pela Nouvelle Vague francesa e o neorrealismo italiano. Deste movimento fizeram, igualmente, parte cineastas como João César Monteiro, Alberto Seixas Santos e António Reis.

A par da sua atividade no movimento cineclubista, ingressou em 1953 na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, abandonando depois os seus estudos em 1959 para se instalar em França onde frequentou até 1962 o Institut des Hautes Études Cinematographiques (IHEC) em Paris, obtendo um diploma em “Realização de Cinema”. Chegando a ser assistente de realização estagiário, do mítico realizador francês Jean Renoir no filme “Le Caporal Épingle” em 1962.

Foi em Paris que Paulo Rocha declara ter conhecido o cinema, não somente de Jean Renoir, mas também o cinema japonês de Kenji Mizoguchi, do austríaco, naturalizado americano, Fritz Lang, do dinamarquês Carl Dreyer e ainda dos cineastas franceses da Nouvelle Vague.

Logo após o fim dos seus estudos, voltou a Portugal e para além de ter sido assistente de Manoel de Oliveira em “Acto da Primavera” (1963) e “A Caça” (1964), realizou o seu primeiro filme “Verdes Anos” que estreou em 1963. A longa metragem conta a história de Júlio, um jovem provinciano sapateiro que chega a Lisboa e é confrontado com as dificuldades da vida na cidade.  O filme foi produzido por António da Cunha Telles tendo sido um marco da nova vaga portuguesa e tendo feito despertar a crítica estrangeira para o cinema que se fazia em Portugal. O filme chegou a ser apresentado em vários festivais, em países como Espanha, México e Suíça. A música de Carlos Paredes “Verdes Anos” é, ainda hoje, uma referência tendo-se tornado num dos maiores clássicos de sempre das bandas sonoras originais de filmes em Portugal.

De 1973 a 1974 foi diretor do Centro Português de Cinema e entre 1975 e 1983 foi adido cultural da Embaixada de Portugal em Tóquio. Foi, igualmente, durante vários anos, professor na Escola Superior de Teatro e Cinema em Lisboa, tendo assim formado várias gerações de cineastas. Viria a falecer em Vila Nova de Gaia aos 77 anos, a 29 de dezembro de 2012, deixando uma obra de cerca de uma quinzena de filmes.

A retrospetiva na Cinemateca francesa é uma ocasião para descobrir, ou redescobrir, não somente o filme « Os Verdes Anos” que será exibido logo na inauguração da retrospectiva, dia 10 de janeiro pelas 20 horas, mas igualmente, “A Ilha dos Amores”, que foi apresentado no Festival de Cannes em 1982 e ainda “O Rio de Ouro” selecionado para a secção “Un Certain Regard” em Cannes em 1998.

Mais informações 

Evento em capmagellan.com

La Cinémathèque Française
51 rue de Bercy – 75012 Paris

Luísa Semedo
capmag@capmagellan.org