
De la chute au triomphe pour la route vers le Mondial 2026
7 janvier 2026
Calema de volta a França!
12 janvier 2026No âmbito das suas missões em prol da cidadania, a Cap Magellan interrogou os candidatos à eleição presidencial portuguesa de 18 de janeiro de 2026.
Todos os candidatos foram contactados, com exceção do candidato do partido Chega, já que a Cap Magellan assume uma posição clara e constante contra a extrema-direita. Além disso, alguns candidatos não deram seguimento aos nossos contactos e não figuram, por esse motivo, nas nossas publicações. Entre as candidatas e os candidatos contactados, dois responderam.
O primeiro é António José Seguro, antigo secretário-geral do Partido Socialista, antigo deputado e antigo eurodeputado, atualmente candidato à eleição presidencial portuguesa de 2026.
O segundo é António Filipe, advogado e académico, antigo vice-presidente da Assembleia da República e deputado durante vários anos, é o candidato do Partido Comunista Português (PCP) às eleições presidenciais portuguesas de 2026, apoiado pela coligação CDU.
A terceira foi pré-candidata e não integra a lista de candidatos oficialmente admitidos a esta eleição. Ainda assim, optámos por divulgar as suas respostas, num espírito de pluralismo e de informação cidadã. Trata-se de Manuela Magno, antiga candidata independente do Partido Humanista à Câmara Municipal de Lisboa em 2011, antiga dirigente do movimento Juntos Podemos e professora na Universidade de Évora.



CIDADANIA
Cap Magellan: Nas eleições legislativas do verão de 2025, a taxa de participação eleitoral na primeira volta dos portugueses residentes no estrangeiro foi de apenas 17,02%. Como pretende incentivar a participação eleitoral nas eleições presidenciais, tendo em conta que a abstenção ultrapassou 80% nas anteriores eleições?
Resposta do António José Seguro:
Nas grandes escolhas de Portugal, todos os votos têm de contar. Todos contam e todos são importantes. A baixa participação eleitoral das comunidades portuguesas não resulta de desinteresse cívico, mas de uma combinação de dificuldades práticas e de um sentimento persistente de afastamento institucional. Muitos portugueses vivem longe dos consulados, enfrentam custos elevados e sentem que, apesar do seu contributo para o país, a sua voz pesa pouco nas decisões nacionais.
Enquanto Presidente da República, defenderei um princípio essencial: o direito de voto tem de ser simples, acessível e efetivo. Usarei a magistratura de influência para promover o alargamento dos locais de voto, incluindo consulados honorários e associações devidamente credenciadas, e para consolidar soluções como os cadernos eleitorais desmaterializados, já testados com sucesso nas eleições europeias.
Mas a participação não se constrói apenas com meios técnicos. Constrói-se com reconhecimento e proximidade. A minha prioridade será devolver às comunidades a certeza de que contam, que o seu voto tem impacto e que a Presidência da República as escuta e representa. Mais portugueses a votar é mais democracia e uma democracia mais forte. Quero ser o Presidente de todos os portugueses. Para mim, onde estiver um português, está Portugal.
Resposta do António Filipe:
Da nossa parte, temos feito aquilo que nos compete. Procuramos ir ao encontro daqueles que são os problemas reais das pessoas, e das nossas Comunidades Emigrantes, apresentando as nossas propostas para a sua resolução. Precisamos que as pessoas voltem a acreditar que o seu voto conta. Da nossa parte, não prometemos agora, com intenção de não cumprir no futuro! Falando a verdade, cumprindo aquilo que prometemos, julgo que é o melhor contributo que podemos dar, para combatermos a abstenção.
Resposta da Manuela Magno:
A baixa participação eleitoral deve ser encarada como um alerta democrático. O Presidente da República não legisla, mas pode promover a mobilização cívica, reforçar o diálogo com as associações e valorizar o papel da diáspora. Uma Presidência próxima e presente nas comunidades pode reduzir a distância entre os cidadãos e as instituições.
Cap Magellan: Considera que os mecanismos de voto à distância (voto por correspondência, digital ou consular) são adequados? Prevê alterações ou melhorias neste domínio?
Resposta do António José Seguro:
Todas as modalidades de voto têm vantagens e limitações. O voto presencial e o voto por correspondência podem e devem ser melhorados, tornando-se mais simples, fiáveis e rápidos. O voto digital remoto exige uma abordagem particularmente responsável.
Num contexto internacional marcado por ciberataques e tentativas de manipulação eleitoral, a prioridade deve ser a credibilidade absoluta do ato eleitoral. Defendo que qualquer evolução neste domínio deve assentar em garantias técnicas robustas e em consensos políticos alargados. A tecnologia deve servir a democracia nunca a fragilizar, mas ninguém deve deixar de poder participar pela distância geográfica ao ponto de votação ou por razões financeiras. Tudo farei para que quem quiser participar, o possa fazer sem restrições ou bloqueios. Somos todos parte de um todo que é Portugal. Não há burocracia que se possa sobrepor à expressão livre e democrática da vontade do cidadão.
Resposta do António Filipe:
É sempre possível melhorar. Já o afirmei e volto a dizê-lo: O voto presencial é aquele que melhor garantia nos dá. O voto tem que ser pessoal e intransmissível. Claro que para podermos ir o mais longe possível nesta questão, era desejável que mais assembleias de voto pudessem existir, descentralizar mais esta questão, envolvendo por exemplo o Movimento Associativo.
Resposta da Manuela Magno:
Sou favorável à implementação gradual e tecnicamente rigorosa do voto digital, desde que salvaguardada a segurança, a privacidade e a confiança no processo. Nenhum português deve percorrer centenas de quilómetros para votar num consulado. Enquanto Presidente, impulsionarei o debate público sobre a modernização dos processos eleitorais.
Cap Magellan: Nas últimas eleições legislativas, o partido Chega ficou em primeiro lugar em vários círculos eleitorais da diáspora portuguesa, enquanto, a nível nacional, apenas alcançou o terceiro lugar. Como interpreta esta especificidade do voto dos portugueses no estrangeiro? Que medidas propõe para reforçar a participação cívica e o pluralismo democrático no seio das comunidades expatriadas?
Resposta do António José Seguro:
O voto é sempre uma forma legítima de expressão política e, muitas vezes, um sinal de protesto ou de desencanto. O essencial não é julgar escolhas eleitorais, mas compreender as razões profundas que levam muitos cidadãos a sentir que o sistema não responde às suas expectativas.
Enquanto Presidente da República, o meu compromisso será de aproximar as instituições das pessoas, ouvindo mais, estando presente nas comunidades, reconhecendo o seu contributo económico, cultural e social e promovendo uma democracia que dê respostas concretas. O pluralismo democrático fortalece-se quando ninguém se sente esquecido ou abandonado. O Presidente deve ter um papel fundamental na defesa da Constituição, do Estado de Direito e do funcionamento do sistema democrático para que responda aos cidadãos com soluções. É esse desafio que assumo. O Presidente deve ser parte da construção e da exigência de soluções concretas para os portugueses. Protestar por protestar não é solução, temos de ser consequentes, concretizar respostas em território nacional como onde estão as comunidades de portugueses.
Resposta do António Filipe:
Como já afirmei na primeira questão, precisamos de fazer corresponder as promessas feitas com o que se faz depois. Infelizmente as políticas de sucessivos Governos de Portugal, têm defraudado essas expectativas, o que aliás tem levado muitos portugueses a procurarem melhores condições de vida em outros países. Precisamos que as pessoas voltem a acreditar que o seu voto conta, que quem é eleito, esta lá para resolver aqueles que são os problemas reais que afectam as pessoas. Da nossa parte é o que faremos e fazendo-o, estou convicto, que a participação cívica e o pluralismo democrático aumentarão não só junto das nossas Comunidades Emigrantes, mas também em Portugal.
Resposta da Manuela Magno:
O comportamento eleitoral distinto reflete, sobretudo, um sentimento de afastamento. A melhor resposta é a proximidade institucional, o diálogo com associações representativas e a valorização da diversidade democrática. O Presidente deve ser um mediador e um estabilizador, promovendo participação informada e inclusão.
EUROPA, RELAÇÕES INTERNACIONAIS E LUSOFONIA
Cap Magellan: Como prevê o papel estratégico de Portugal no seio de uma União Europeia em transformação, nomeadamente nas áreas da defesa, da energia e do clima?
Resposta do António José Seguro:
Portugal é membro da União Europeia, do Espaço Schengen, da NATO e da CPLP, e tem comunidades espalhadas por todos os continentes. Essa posição confere-lhe uma responsabilidade acrescida.
Defendo uma União Europeia mais integrada politicamente, mais solidária e mais autónoma, capaz de responder de forma comum aos desafios da defesa, da energia e do clima. Problemas comuns exigem soluções comuns. Portugal deve ser um construtor de consensos, defensor do multilateralismo e da cooperação, rejeitando visões isolacionistas ou meramente transacionais das relações internacionais, mas a Europa tem de ter outra capacidade de responder às comunidades e aos desafios, posicionando-se como entidade com capacidade de construir respostas e pontes no mundo. Temos de decidir o que queremos fazer em comum e fazê-lo em tempo útil. A Europa tem de ter capacidade estratégica própria, além dos egoísmos, dos nacionalismos e dos populismos. Mesmo com parceiros, como os Estados Unidos, perante as opções recentes. Temos de ganhar capacidade de posicionamento e de ação própria. Somos bons a fazer relatórios, mas péssimos a concretizar e isso tem de mudar. Por nós, cidadãos europeus e pelo projeto de paz e desenvolvimento que é a União Europeia. Temos de ser parte de uma construção europeia que vai além da sua circunstância, que se antecipa e posiciona como projeto político de concretização de respostas comuns para problemas e desafios partilhados.
Resposta do António Filipe:
Portugal deve ter uma voz própria na União Europeia, orientada pelos princípios da nossa Constituição, rejeitando o militarismo e a guerra, apostando na paz e na cooperação, defendendo a soberania e independência energética e a defesa de um ambiente sadio e ecologicamente equilibrado, rejeitando o caminho de mercantilização do ambiente.
Resposta da Manuela Magno:
Portugal deve continuar a assumir um papel ativo nas áreas da defesa, energia e clima, reforçando a sua credibilidade europeia. O Presidente deve promover estabilidade, diálogo e cooperação estratégica, defendendo os valores europeus e os interesses nacionais.
Cap Magellan: Que política externa pretende promover em relação aos países lusófonos (CPLP) e às suas diásporas?
Resposta do António José Seguro:
A política externa cabe ao Governo, mas o Presidente da República tem um papel fundamental na valorização estratégica da CPLP. Usarei a diplomacia presidencial para reforçar a coesão desta comunidade, aprofundar a cooperação cultural, linguística, económica e político-diplomática e afirmar o seu potencial global.
A língua portuguesa é uma das mais faladas no mundo e um poderoso instrumento de projeção internacional. Uma CPLP mais eficaz é uma oportunidade para todos os seus povos. Na convergência das nossas vontades e no respeito pela diversidade, persiste ainda muito caminho para afirmar a Lusofonia.
Resposta do António Filipe:
As relações com os países que integram a CPLP devem assentar na cooperação, na solidariedade e no respeito pela soberania, promovendo o desenvolvimento mútuo e mutuamentre vantajoso. Portugal deve dar cumprimento aos acordos bilaterais e multilaterais firmados, e promover a integração das diásporas destes países, assegurando direitos e a não discriminação. São históricas as relações entre estes povos, e fortes os laços que os unem.
Resposta da Manuela Magno:
A CPLP é uma comunidade humana e cultural de enorme valor. Como Presidente, reforçarei a cooperação política e cultural, valorizando o papel das diásporas como ponte entre países e continentes e promovendo a língua portuguesa como ativo global.
Cap Magellan: Portugal deve, na sua opinião, investir e reforçar a sua parceria económica com o Brasil como alavanca de desenvolvimento, mesmo face às reticências europeias relação ao acordo comercial UE-MERCOSUL ?
Resposta do António José Seguro:
O reforço da relação com o Brasil é essencial em todas as dimensões. Partilhamos história, cultura, afetos, uma língua comum e desafios de futuro. No plano económico, o acordo UE–MERCOSUL representa uma oportunidade estratégica de criação de um dos maiores mercados, que deve ser acompanhada com responsabilidade social, ambiental e económica. A União Europeia não pode continuar a marcar passo perante as dinâmicas e as mudanças globais.
Portugal pode e deve assumir um papel de ponte afirmativa entre a Europa e a América do Sul, valorizando esta relação como fator de desenvolvimento mútuo e de concretização de oportunidades de multilateralismo que reforçam todo o potencial existente nos diversos países.
Resposta do António Filipe:
Portugal deve reforçar a cooperação económica e cultural com o Brasil. O acordo de livre comércio com os países que integram o Mercosul prossegue essencialmente os interesses dos grupos económicos e financeiros, com sérios prejuízos para os pequenos produtores, nomeadamente os agricultores, razão pela qual este deve ser rejeitado.
Resposta da Manuela Magno:
Portugal deve fortalecer a sua relação com o Brasil, com responsabilidade e alinhamento europeu. O acordo UE–MERCOSUL só deve avançar com garantias ambientais e económicas sólidas. O Presidente tem um papel diplomático relevante neste equilíbrio, em articulação estreita com o Governo, responsável pela condução da política externa.
Cap Magellan: Quais parcerias culturais e económicas considera prioritário aprofundar com a França e com as comunidades portuguesas estabelecidas na Europa?
Resposta do António José Seguro:
As relações com países onde existem comunidades portuguesas significativas devem ser uma prioridade permanente da diplomacia portuguesa. França, Luxemburgo, Suíça, Alemanha, Reino Unido e outros países acolhem comunidades que são pontes vivas entre Estados, culturas e economias.
A diplomacia portuguesa deve integrar plenamente esta realidade, reconhecendo as comunidades como ativos estratégicos das relações bilaterais.
Resposta do António Filipe:
Portugal deve aprofundar a cooperação cultural e científica com países europeus, incluindo a França, valorizando também o papel das comunidades portuguesas. Considero essencial reforçar a proteção e a ligação com as comunidades portuguesas, através, nomeadamente da existência de serviços consulares e culturais que tenham condições de dar resposta às necessidades.
Resposta da Manuela Magno:
Defendo o reforço da cooperação cultural, económica e científica com França, valorizando simultaneamente o papel das comunidades portuguesas como agentes de ligação e inovação.
Questões económicas e sociais
Cap Magellan: Portugal deve, à semelhança de Espanha, fazer da igualdade de género e da representação feminina na sociedade uma prioridade política e social de primeira ordem?
Resposta do António José Seguro:
A igualdade entre mulheres e homens é uma questão de justiça elementar e de qualidade democrática. Persistem desigualdades salariais, discriminação no acesso ao emprego, violência doméstica e uma distribuição desigual do trabalho de cuidados.
Em Portugal, apesar de viverem mais e terem maior escolaridade, as mulheres continuam a enfrentar discriminação estrutural face aos homens, expressa em salários mais baixos, menor acesso ao poder e à decisão, maior carga de trabalho não pago, maior exposição à pobreza e à violência, e menores oportunidades nos setores mais valorizados da economia.
Enquanto Ministro, tutelei a pasta da Igualdade e fui responsável pelo I Plano Nacional para a Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens (1997-1999, um plano que visou colocar todas as entidades a trabalhar em conjunto com vista à resolução do problema. É este o espírito de colaboração e ação que levo para Belém, se merecer a confiança dos eleitores.
Enquanto Presidente da República, darei o exemplo na paridade dos órgãos que nomear, valorizarei boas práticas e alertarei permanentemente para a necessidade de políticas públicas mais eficazes. Um país justo não tolera desigualdades estruturais. Mais de 50 anos sobre o Abril democrático não é aceitável que persistam as desigualdades entre homens e mulheres que registamos. Tudo farei para combater essa distorção sem sentido, no Portugal de Abril.
Resposta do António Filipe:
Quando dizemos que é preciso cumprir e fazer cumprir a Constituição, também aí encontramos resposta a esta questão. A nossa Constituição proíbe qualquer tipo de descriminação – incluindo a de género.
Claro que para que isso se efective, também existe um outro conjunto de direitos que tem de ser respeitados. Por exemplo, a proposta de Pacote Laboral que o actual Governo insiste em levar por diante, põe em causa esses direitos.
Quando se pretende “eternizar” a precariedade, pôr em causa a protecção da maternidade e paternidade, a conciliação da vida pessoal com a profissional, não estamos a contribuir para fazer da igualdade de género e da representação feminina na sociedade um direito.
Resposta da Manuela Magno:
A igualdade de género é uma prioridade social e democrática. O Presidente deve promover uma cultura de respeito, inclusão e representatividade, contribuindo para eliminar desigualdades.
Cap Magellan: Como revitalizar um desenvolvimento equilibrado entre as regiões costeiras e o interior do país?
Resposta do António José Seguro:
Sendo do interior, conheço bem as consequências do centralismo. O desenvolvimento equilibrado exige capacitação das autarquias, valorização do território e políticas públicas ajustadas às realidades locais.
O papel do Presidente é dar visibilidade a essas realidades e usar a sua magistratura de influência para promover soluções eficazes. Não se trata de fixar números simbólicos, mas de garantir que o investimento público produz resultados concretos na vida das pessoas. Somos todos parte de um mesmo Portugal, os que cá residem e os que são oriundos do nosso território, podendo regressar para acrescentar valor, energia e desenvolvimento se forem geradas condições de fixação. Portugal não pode continuar a ser desigual, entre as pessoas e entre os territórios, gerando um quadro insustentável em que o bem-estar e a qualidade de vida não é a adequada nem no Interior, pela desertificação e abandono, nem no Litoral, pela pressão e falta de respostas. Este é um dos muitos desafios estruturais que temos e a Presidência pode ter um papel a desempenhar, mesmo não governando.
Resposta do António Filipe:
Julgo que encontramos resposta a esta questão, traçando, por exemplo um paralelismo com a Emigração.
Sabemos que as razões que levam muitos portugueses a emigrar, são a busca de melhores condições de vida. Ora também nesta relação do Litoral com o Interior do País, as razões são idênticas.
Não podemos continuar a fechar serviços públicos – hospitais, maternidades, escolas, repartições de finanças … – não investir nas acessibilidades, não apoiar as empresas que aí se fixam, e depois esperar que as pessoas fiquem ou vão para sítios, onde depois para aceder a esses serviços, ou para trabalharem, tenham de fazer dezenas ou centenas de quilómetros.
Temos de olhar para o País como um todo e desenvolver verdadeiras políticas de integração territorial, indo ao encontro não só daquilo que são as necessidades do País e das pessoas, mas também das suas efectivas potencialidades.
Quando se pretende “eternizar” a precariedade, pôr em causa a protecção da maternidade e paternidade, a conciliação da vida pessoal com a profissional, não estamos a contribuir para fazer da igualdade de género e da representação feminina na sociedade um direito.
Resposta da Manuela Magno:
O interior deve ser encarado como eixo estratégico nacional. O Presidente pode promover consensos que reforcem serviços públicos, infraestruturas, inovação e investimento sustentável.
Cap Magellan: O custo da habitação, particularmente elevado em Lisboa (onde a especulação imobiliária tem levado muitos habitantes históricos, nomeadamente em bairros como Alfama, a abandonar as suas casas), soma-se à precariedade dos jovens e à estagnação salarial. Quais são as suas prioridades para restabelecer uma verdadeira justiça social num Portugal cada vez mais afetado pelo aumento do custo de vida?
Resposta do António José Seguro:
A crise da habitação é hoje uma das mais sérias ameaças à justiça social, à coesão territorial e ao futuro do país. Em particular nas áreas metropolitanas, como Lisboa e Porto, mas também em cidades médias, o aumento descontrolado dos preços, a especulação imobiliária e a pressão turística estão a expulsar famílias, jovens e populações históricas dos seus bairros, comprometendo projetos de vida e fragilizando comunidades inteiras. Enquanto Presidente da República, assumirei esta realidade como uma emergência nacional, usando a magistratura de influência para exigir respostas estruturais, articuladas e duradouras, que envolvam o Estado, as autarquias e a sociedade civil. A habitação não pode ser tratada apenas como um ativo financeiro: é um direito constitucional, condição de dignidade, autonomia e estabilidade. Um país que não garante habitação acessível aos seus jovens, às famílias e aos mais vulneráveis está a hipotecar o seu futuro e a empurrar gerações inteiras para a precariedade ou para a emigração. A justiça social começa em casa — e o Presidente da República não pode ser indiferente a isso.
Resposta do António Filipe:
Tenho falado nesta campanha daquilo que eu chamo o consenso neoliberal e os seus candidatos, com que não me identifico. E não me identifico porque os candidatos do consenso neoliberal são os que estão juntos na defesa das privatizações, que estão juntos nos privilégios e benefícios fiscais entregues aos grupos económicos, que estão juntos na submissão às imposições da União Europeia, que estiveram juntos na aceitação da política de cortes nos salários, pensões e direitos do período da troika, que estão juntos a discutir o acessório para esconder que estão de acordo no essencial: que estão juntos nos pactos e consensos que nos trouxeram ao longo de décadas à situação em que nos encontramos.
Disse isto tudo, para dizer que a situação em que nos encontramos tem rostos, tem culpados, tem políticas, por detrás das mesmas e não é votando nos mesmos que podemos aspirar a resultados diferentes.
Para andarmos para a frente necessitamos em primeiro lugar de cumprir a fazer cumprir a Constituição, e isto não é pouco. Por exemplo, relativamente aos jovens, o seu artigo 70.º proclama
“Os jovens gozam de proteção especial para efetivação dos seus direitos económicos, sociais e culturais, nomeadamente no ensino, na formação profissional e na cultura; no acesso ao primeiro emprego, no trabalho e na segurança social; no acesso à habitação; na educação física e no desporto; no aproveitamento dos tempos livres”.
Claro que é preciso fazer mais, mas fica este exemplo, que julgo que é bastante esclarecedor.
Resposta da Manuela Magno:
A crise da habitação é central. A magistratura de influência presidencial deve manter o tema no centro da agenda nacional e incentivar políticas que assegurem justiça social, equilíbrio urbano e dignidade habitacional.
Cap Magellan: Segundo dados do Observatório da Emigração, um em cada três jovens nascidos em Portugal vive fora do país. De que forma você pretende garantir que os jovens portugueses encontrem melhores condições de vida em território nacional?
Resposta do António José Seguro:
Enquanto Presidente da República, assumirei este fenómeno como um falhanço coletivo que exige resposta política persistente, mesmo não sendo matéria de governação direta. Usarei a magistratura de influência para exigir um modelo de desenvolvimento que valorize o trabalho qualificado, aposte na criação de riqueza com justiça social e assegure previsibilidade às novas gerações. Um país justo e de excelência — como defendo no manifesto e nos compromissos públicos desta candidatura — é um país onde o mérito conta, onde a escola pública funciona como verdadeiro elevador social, onde há salários dignos, emprego estável e acesso real à habitação. O Presidente deve ser exigente com o Governo, os partidos, os parceiros sociais e as autarquias, promovendo consensos duradouros sobre políticas estruturais que não mudem a cada ciclo político. Para além disso, quero criar espaços permanentes de escuta e participação, como um Fórum do Futuro, envolvendo jovens de diferentes origens — incluindo emigrantes e lusodescendentes — para transformar indignação em propostas concretas. O futuro não pode continuar a emigrar. Um país que se resigna a perder os seus jovens está a abdicar do seu próprio amanhã. Portugal, as suas famílias, não podem continuar a prescindir dos seus jovens, manifestamente por falta de oportunidades e de adequado reconhecimento, na remuneração e na carreira, do conhecimento, da competência e do talento das novas gerações, privando-os de darem um contributo para o desenvolvimento do país, próximo de quem mais gostam.
Resposta do António Filipe:
De certa forma, na pergunta anterior já respondi à questão, mas deixe-me dizer-lhe que eu não me conformo com essa situação. O futuro dos nossos jovens não pode ser a emigração forçada pelos baixos salários, pela precariedade e pela negação do direito à habitação.
Os nossos jovens não podem continuar a frequentar escolas sem condições, sem professores. Os nossos jovens não podem ver negado o seu direito de acesso aos graus mais elevados de ensino e formação por razões económicas. Os nossos jovens investigadores não podem continuar sujeitos à precariedade das bolsas de investigação. Os nossos jovens não podem continuar a ver adiada a sua autonomia, as suas possibilidades de constituir família e de sair de casa dos pais.
Eu não me conformo em ver tantos jovens, alguns deles com formação superior obtida com grande sacrifício das suas famílias, sujeitos à precariedade laboral, aos baixos salários, à repressão patronal, à desvalorização das carreiras públicas, a ter de ver na emigração a única possibilidade para ter um salário decente.
O presente e o futuro dos nossos jovens exige um novo rumo para o país, exige uma ruptura com as políticas neoliberais que tratam as pessoas como mercadorias descartáveis e que sacrificam a dignidade da pessoa humana em nome da maximização do lucro dos grandes grupos económicos.
Resposta da Manuela Magno:
Para que os jovens permaneçam ou regressem a Portugal, é necessário garantir oportunidades profissionais, acesso à habitação e uma sociedade que valorize talento e inovação.
Cap Magellan: De acordo com os dados da balança de rendimentos do Banco de Portugal (BdP, fev/2025), o dinheiro transferido para Portugal por emigrantes superou, pelo segundo ano consecutivo, os quatro mil milhões de euros, em 2024, confirmando a tendência de crescimento que se mantém há 15 anos. As remessas foram, em média, nos últimos dez anos, ligeiramente superiores aos fundos comunitários transferidos para Portugal. No entanto, o montante do investimento de Portugal nas suas Comunidades, em ação social, cultural, de solidariedade ou de ensino, é desconhecido e, comunamente referido como inferior a 1% do montante das remessas. Como qualificaria a evolução das remessas? Qual a sua opinião sobre uma lei que obrigaria a que uma percentagem anual do montante recebido fosse reinvestido nas Comunidades?
Resposta do António José Seguro:
As remessas são efetivamente um elemento importante e revelador da relação das nossas comunidades com Portugal. Elas constituem uma segurança pessoal relevante em termos financeiros e de projetos futuros e também um importante ativo para o sistema bancário. Mas eu destacaria ainda a importância das importações de bens e serviços para as comunidades portuguesas através de empresas do setor alimentar e na área de materiais de construção, que representam um valor astronómico muito difícil de calcular e que são fundamentais para o dinamismo da economia portuguesa, para gerar riqueza e manter postos de trabalho. Sim, nesta medida, considero, só por estas razões, mas não só, que as políticas dirigidas às nossas comunidades, que são matéria dos governos, deveriam ser muito mais robustas.
Resposta do António Filipe:
Há que reconhecer que pouco se tem investido, em todos os níveis, nas nossas Comunidades Emigrantes. E é preciso fazemos mais.
A evolução das remessas também nos diz que apesar de trabalharem e residem em outros países, as nossas Comunidades Emigrantes, não deixam de manter, e querem continuar a manter, uma sólida relação de pertença a Portugal.
Sobre a criação de uma lei que obrigaria a que uma percentagem anual do montante recebido fosse reinvestido nas Comunidades, eu não poria a questão nesses termos, pois ficaria dependente do valor das remessas. O que precisámos é de uma política que vá ao encontro daquilo que são as reais necessidades das nossas Comunidades Emigrantes e que para isso considere as verbas que são necessárias sem termos propriamente definido “balizas”, que consoante as necessidades podem revelar-se insuficientes.
Resposta da Manuela Magno:
As remessas pertencem aos emigrantes. Não defendo qualquer obrigação legal sobre elas. O Estado deve reforçar o investimento nas comunidades por iniciativa própria, valorizando o seu papel.
LÍNGUA PORTUGUESA E MOVIMENTO ASSOCIATIVO
Cap Magellan: Enquanto mais de 250 000 portugueses aprendem a língua francesa em Portugal, apenas (na melhor das hipóteses) menos de 50 000 franceses aprendem a língua portuguesa em França, apesar da presença de mais de 1,5 milhão de luso-descendentes em França. Que políticas culturais e educativas preconiza para reforçar a visibilidade e o ensino da língua portuguesa no sistema escolar francês?
Resposta do António José Seguro:
A assimetria no ensino das línguas portuguesa e francesa é reveladora de uma oportunidade que Portugal ainda não soube plenamente aproveitar. Num país como a França, onde vivem mais de 1,5 milhão de luso-descendentes, a língua portuguesa não pode continuar a ser vista como marginal ou apenas identitária: é um ativo cultural, económico e estratégico. De acordo com os compromissos expressos no manifesto e nas intervenções desta candidatura, defendo uma aposta muito mais consequente na diplomacia cultural e educativa, acompanhando de forma permanente os acordos bilaterais existentes e exigindo que sejam efetivamente cumpridos e aprofundados. Isso implica reforçar o ensino do português no sistema escolar francês, desde o ensino básico até ao universitário, valorizar o estatuto do português como língua de herança, mas também como língua de futuro, de acesso a mercados globais, à ciência, à cultura e à mobilidade internacional. Enquanto Presidente da República, utilizarei o prestígio e a autoridade da função para mobilizar o Estado português, dialogar com as autoridades francesas, apoiar professores, associações e redes culturais, e envolver ativamente os jovens lusodescendentes neste esforço. Se a língua portuguesa é, como tantas vezes afirmamos, uma âncora da nossa política externa, então é preciso coerência: mais meios, mais presença institucional e mais ambição. Falar português em França não deve ser apenas preservar raízes — deve ser abrir portas e afirmar Portugal no mundo.
Resposta do António Filipe:
A Constituição da República Portuguesa no seu artigo n.º 74, consagra o direito ao ensino e à educação. Devemos procurar criar as condições para que as nossas Comunidades tenham acesso à Cultura e a Língua Portuguesa, estabelecendo protocolos com os países de acolhimento.
Claro que defendendo uma política que passa necessariamente pela defesa, valorização e promoção da Língua e da Cultura Portuguesa, a mesma tem de ser acompanhada pelo reforço do investimento público nesta área, nomeadamente com a contratação de mais professores, porque só a contratação de mais professores é que vai permitir reforçar e alargar a rede do Ensino de Português no estrangeiro.
Resposta da Manuela Magno:
Defendo o reforço da diplomacia cultural, a cooperação entre sistemas educativos e o apoio a iniciativas da diáspora. O português deve ter maior presença nas escolas francesas.
Cap Magellan: Como pretende acompanhar a política do governo português nas negociações junto do governo francês nessa matéria, para restabelecer um equilíbrio na importância de ambas as línguas nos dois países?
Resposta do António José Seguro:
Com toda a atenção, responsabilidade e exigência institucional que competem ao Presidente da República. A língua portuguesa é uma âncora da nossa política externa e cultural e, por isso, não pode ser tratada de forma acessória nas relações bilaterais. Acompanharei de forma permanente a ação do Governo português nas negociações com a França, valorizando os pressupostos que anteriormente enunciei: o cumprimento efetivo dos acordos existentes, o reforço do ensino do português no sistema escolar francês e o reconhecimento do português não apenas como língua de herança, mas como língua de futuro, de cultura, ciência e acesso a mercados globais. Usarei a diplomacia presidencial para dialogar com as autoridades francesas, mobilizar a diplomacia cultural e dar visibilidade política a esta causa, porque a reciprocidade linguística é também uma questão de respeito mútuo entre Estados.
Resposta do António Filipe:
Com muita atenção. Não deixando de alertar o Governo para a importância da defesa, valorização e promoção da Língua e da Cultura Portuguesa, ainda para mais, como é referido, contarmos neste país em concreto, com a presença de cerca de 1,5 milhões de portugueses e luso-descendentes.
Resposta da Manuela Magno:
Acompanhar-me-ei das negociações reforçando a importância estratégica da língua portuguesa, apoiando o Governo e valorizando o papel da comunidade e das associações.
Cap Magellan: Como pretende apoiar as associações culturais portuguesas no estrangeiro, que enfrentam ainda dificuldades após a pandemia e desempenham, contudo, um papel essencial de ligação cívica e cultural?
Resposta do António José Seguro:
O apoio direto ao movimento associativo é competência dos governos, mas o Presidente da República tem o dever de reconhecer, valorizar e incentivar o associativismo enquanto pilar essencial da vida das comunidades portuguesas. As associações são espaços de encontro, de convivência, de promoção da língua e da cultura, de solidariedade intergeracional e de participação cívica. São também uma ponte viva entre as comunidades, as instituições dos países de acolhimento e Portugal. Enquanto Presidente, farei questão de lhes dar visibilidade pública, de reconhecer boas práticas, de chamar a atenção do Governo para as suas dificuldades e de usar o prestígio da função presidencial para que sejam sempre consideradas parte integrante da política para as comunidades portuguesas.
Resposta do António Filipe:
O apoio às associações culturais portuguesas no estrangeiro é de extrema importância. Reconhecemos o importante trabalho desenvolvido por estas associações nas áreas sociais, culturais, cívicas, recreativas e desportivas, muitas das vezes dinamizados pela vontade e pelo empenho das Comunidades Emigrantes, sem qualquer tipo de apoios.
É importante que se reconheça o papel desempenhado por estas associações, enquanto espaço federador e socializador das Comunidades Emigrantes, com um inestimável contributo de índole social, educativa, política, cultural e económica. Claro que este reconhecimento e esta valorização deve ser traduzida no concreto em apoios que se fundamentem e se justifiquem para a sua acção
Resposta da Manuela Magno:
As associações desempenham um papel vital. O Presidente pode dar-lhes visibilidade, reforçar o diálogo institucional e promover maior coordenação com a rede consular.
TRANSIÇÃO ECOLÓGICA E AMBIENTE
Cap Magellan: Perante a recorrência dos megaincêndios que afetam o território nacional, prevê repensar as políticas públicas de prevenção, gestão florestal e proteção civil, numa perspetiva sustentável e integrada de defesa do ambiente e das populações?
Resposta do António José Seguro:
Os incêndios não podem ser o novo normal em cada Verão, colocando em risco as vidas e o património edificado e ambiental. A recorrência dos grandes incêndios demonstra que não basta responder à emergência: é necessário prevenir de forma integrada e sustentável. Defendo uma abordagem que articule ordenamento do território, gestão florestal ativa, valorização do mundo rural e uma proteção civil bem coordenada e dotada de meios adequados. O Presidente da República não governa, mas tem o dever de alertar, exigir coerência e promover consensos duradouros para que as políticas públicas nesta área não mudem a cada ciclo político. Proteger o ambiente é proteger as populações, o território e o futuro do país.
Resposta do António Filipe:
O País continua a ser confrontado com grandes incêndios florestais – como se verificou em 2025 com mais de 260 mil hectares consumidos pelas chamas -, e a realidade está a demonstrar que não há promessas que resistam se não existir o necessário investimento público. É isso que se exige em matéria de intervenção nas faixas de gestão de combustível, na elaboração do cadastro florestal – está a 30% apesar de decidido há largos anos -, na constituição e funcionamento das equipas de sapadores florestais (o país ainda não atingiu as quinhentas e precisará provavelmente do dobro), na promoção de fogo controlado, na diversificação do mosaico florestal, entre outras importantes medidas.
Importa ter em conta uma realidade do país marcada pela pequena propriedade, cujos donos tê a responsabilidade da gestão dos terrenos mas não obtêm dele o rendimento mínimo necessário. Na verdade, estamos perante uma realidade em que o mercado do conjunto das matérias lenhosas – madeira, cortiça, etc – está hoje dominado pelos grupos económicos que determinam os preços, esmagando cada vez mais a pequena propriedade.
Da minha parte tenho tido ao longo de décadas uma vasta e intensa intervenção como deputado do PCP, com diversas iniciativas legislativas, propostas, perguntas ao governo, visitas e presença no terreno exigindo que se cumpra aquilo que há muito está identificado e que foi sistematizado nas conclusões do relatório da Comissão técnica Independente sobre os grandes incêndios florestais de 2027. O País exige a ruptura com a política de abandono da floresta, do território e do mundo rural, que está na origem dos problemas que identificou na sua carta.
Resposta da Manuela Magno:
Portugal precisa de uma visão integrada entre prevenção, ordenamento e proteção civil. Enquanto candidata, tive a oportunidade de ser recebida, no Porto, pela FORESTIS — uma associação florestal de enorme relevância nacional, cujo trabalho sério e rigoroso tem contribuído para pensar soluções concretas de prevenção, ordenamento e valorização da floresta. Esse encontro reforçou a minha convicção de que Portugal precisa de ouvir mais quem conhece o terreno, quem trabalha com proprietários florestais e quem desenvolve modelos inovadores de gestão e resiliência.
Cap Magellan: Com mais de 60 % da sua produção elétrica proveniente de energias renováveis em 2024, Portugal afirma-se como um dos líderes europeus da transição energética. Que visão estratégica propõe para manter e consolidar esta posição?
Resposta do António José Seguro:
Portugal tem condições excecionais para ser um caso de sucesso na transição energética, mas essa liderança só se consolida com planeamento, investimento e justiça social. A transição não pode ser apenas tecnológica; tem de ser também económica e social.
Como Presidente da República, defenderei uma visão estratégica assente na previsibilidade das políticas públicas, no reforço das redes e do armazenamento, na eficiência energética e na valorização do conhecimento científico. A energia deve ser um fator de competitividade da economia, de criação de emprego qualificado e de melhores salários — não apenas uma estatística positiva.
É igualmente essencial garantir uma transição justa, que proteja as famílias e as pequenas empresas e evite novas desigualdades. A sustentabilidade só é verdadeira se caminhar lado a lado com a coesão social e territorial. O papel do Presidente é exigir esse equilíbrio e promover entendimentos que assegurem um rumo claro ao país.
Resposta do António Filipe:
Portugal deve bater-se por assegurar a sua soberania e segurança energética o que pressupõe que, um sector estratégico como é o da energia, deverá obedecer às necessidades do País em vez da lógica de maximização do lucro dos grupos económicos e multinacionais que dominam este sector. Por necessidades de natureza ambiental e de soberania, o País deve promover a utilização de energias renováveis mas isso requer que existam mecanismos de planeamento público que conduzam a necessária transição energética em benefício do País e não, como tem acontecido, numa lógica de maximização do lucro. A prova desta necessidade está no facto de se estar a assistir à multiplicação de grandes centrais fotovoltaicas – com impactos fortíssimos no preço dos solos, na destruição de floresta e zonas agrícolas e nos próprios preços da electricidade prejudicando as famílias e a economia nacional. Para além do controlo e planeamento democráticxo do sector da energia a situação exige também medidas que aumentem a eficiência energética, designadamente pela promoção do transporte público.
Resposta da Manuela Magno:
Portugal deve consolidar a sua liderança em energias renováveis, hidrogénio verde e inovação. Defenderei uma transição justa, com benefícios para famílias e territórios.
Cap Magellan: Como garantir um modelo agrícola sustentável, capaz de preservar os recursos naturais e, ao mesmo tempo, assegurar a viabilidade económica das explorações rurais?
Resposta do António José Seguro:
Não há sustentabilidade ambiental sem sustentabilidade económica para quem produz. Um modelo agrícola responsável tem de proteger o solo, a água e a biodiversidade, mas também garantir rendimento, dignidade e futuro às explorações agrícolas, em particular no mundo rural.
Defendo uma agricultura baseada no uso eficiente da água, na adaptação às alterações climáticas, na valorização do solo e na inovação científica colocada ao serviço dos agricultores. Mas defendo também cadeias de valor mais justas, organização da produção, valorização do preço na origem e combate às assimetrias que penalizam quem trabalha a terra.
Como Presidente da República, promoverei o diálogo entre Estado, produtores, ciência e sociedade civil, para que a agricultura seja reconhecida como parte da solução ambiental e não como um problema. Um país que abandona a sua agricultura abandona também o território, a soberania alimentar e a coesão nacional.
Resposta do António Filipe:
O sector agrícola representa muito mais que uma mera actividade económica. Dele depende a nossa soberania alimentar, a vida de centenas de milhares de agricultores, a forma como gerimos e ocupamos o território e nos relacionamos com o ambiente. No entanto, sinto que o poder político não tem tido esta visão. Sinto que os interesses nacionais são muitas vezes relegados para segundo plano perante as imposições de grandes potenciais na UE. Sinto que o mundo rural apenas tem visibilidade perante grandes tragédias como as dos incêndios. Sinto que muitas organizações de agricultores não são ouvidas. Sinto que a Constituição da República não é cumprida em muitos aspectos que esta determina.
O País precisa de um Presidente da República que coloque a soberania alimentar como um desígnio nacional. Que dê voz à agricultura familiar. Que não se conforme perante tratados comerciais – como o do Mercosul/UE – e se atreva a dar a sua opinião. O País precisa de um Presidente da República que questione o governo perante cortes no orçamento para a agricultura como aconteceu este ano. Não me calarei perante um agricultor que recebe 5 ou 6 vezes menos do que o preço que o consumidor paga no hipermercado.
Resposta da Manuela Magno:
É necessário apoiar práticas inovadoras e garantir viabilidade económica. A sustentabilidade constrói-se com e não contra os agricultores.
Cap Magellan: O turismo constitui um dos pilares da economia portuguesa, mas exerce uma pressão crescente sobre os recursos naturais e o acesso à habitação. Como conciliar a atratividade turística com a sustentabilidade ambiental?
Resposta do António José Seguro:
O turismo é um ativo estratégico para Portugal, mas não pode comprometer aquilo que torna o país atrativo: o território, o ambiente, a cultura e a qualidade de vida das pessoas. Quando o sucesso económico começa a expulsar residentes e a degradar recursos, é sinal de que o equilíbrio foi perdido.
Conciliar turismo e sustentabilidade exige planeamento, regulação e coragem política. É necessário respeitar a capacidade de carga dos territórios, proteger os recursos naturais, diversificar a oferta turística no espaço e no tempo e garantir que a habitação cumpre, antes de mais, uma função social.
Como Presidente da República, serei exigente com políticas públicas que coloquem as pessoas no centro, defendam o direito à habitação e assumam a sustentabilidade ambiental como uma vantagem competitiva do país — não como um entrave. O turismo só terá futuro se for compatível com um país habitável, justo e equilibrado.
Resposta do António Filipe:
O Turismo tem assumido um peso crescente na economia nacional o que é inseparável das condições que Portugal oferece nesta matéria e que devem ser aproveitadas. Mas isso significa também a necessidade de uma diversificação da actividade económica, com destaque para a valorização dos sectores produtivos, em vez da monoactividade do turismo que se tem vindo a implementar. Portugal não pode ser apenas um País que é bom para visitar, precisa de ser também um País que seja bom para viver e trabalhar. Ora isso implica medidas que consideram a imposição de limites em várias regiões em relação à actual carga turística, bem como, a valorização dos salários e dos direitos dos trabalhadores deste sector – que assenta em baixos salários -, medidas que assegurem a regulação dos preços da habitação e o combate à especulação imobiliária, incluindo com a limitação de habitações destinadas ao Alojamento Local ou à construção de novas unidades hoteleiras. E também medidas de valorização dos serviços públicos – na saúde, nos transportes, etc- que tenham em conta as necessidades do povo português e o impacto do turismo.
Resposta da Manuela Magno:
O turismo deve respeitar limites ambientais, proteger as populações e promover uma distribuição territorial equilibrada dos visitantes.
VALORES DEMOCRÁTICOS E LIBERDADES
Cap Magellan: Num momento de ascensão dos populismos na Europa, como tenciona defender os valores de 25 de Abril de 1974?
Resposta do António José Seguro:
Os valores de Abril não são proclamações abstratas nem slogans do passado. Vivem na forma como a democracia responde, hoje, à vida concreta das pessoas. Liberdade, igualdade e solidariedade só se afirmam quando o Estado funciona, quando a justiça é eficaz, quando há oportunidades reais e quando ninguém se sente esquecido.
O crescimento dos populismos resulta, em grande medida, da frustração de cidadãos que deixaram de confiar nas instituições e sentem que o seu esforço não é reconhecido. Defender o 25 de Abril é restaurar essa confiança, combater desigualdades persistentes e garantir que a democracia melhora, de forma visível, a vida das pessoas. É essa a melhor resposta ao radicalismo e à demagogia.
Resposta do António Filipe:
Fazendo aquilo que compete ao Presidente da República: Cumprir e fazer cumprir a Constituição. A Constituição que temos não é uma Constituição neutra, as forças reacionárias sabem disso e por isso não desistem de a tentar rever. É uma Constituição revolucionária, nascida da Revolução de Abril. É a Constituição do Povo, a Constituição de uma jovem democracia, nascida de uma Revolução em que os jovens militares, os jovens trabalhadores e os jovens estudantes tiveram um papel determinante, uma Constituição que consagrou os direitos políticos, económicos, sociais e culturais em nome dos quais se fez o 25 de Abril. Cumprir e fazer cumprir a Constituição, é a melhor forma de defender os valores do 25 de Abril de 1974.
Resposta da Manuela Magno:
Numa Europa marcada por populismos, cabe ao Presidente defender a democracia, a liberdade de imprensa e o Estado de direito, promovendo cidadania ativa dentro e fora do país.
Cap Magellan: Perante a recente crise do parlamentarismo, que medidas propõe para reforçar a confiança nas instituições democráticas portuguesas?
Resposta do António José Seguro:
Portugal precisa de um Presidente que seja um fator de estabilidade, equilíbrio e confiança. Um Presidente que escute antes de falar, que promova o diálogo entre os atores políticos e sociais e que seja uma referência ética clara.
A confiança nas instituições constrói-se com previsibilidade, transparência e sentido de Estado. Cabe ao Presidente da República exercer uma magistratura de influência responsável, facilitando consensos em matérias estruturantes, lembrando o que une quando a política se fecha nas suas divisões, e garantindo o normal funcionamento das instituições democráticas.
Precisamos de reforçar o foco na resposta ao essencial, ao seviço N.
Resposta do António Filipe:
Como já referi, temos de ir ao encontro dos reais problemas que afectam o nosso País. As pessoas precisam de sentir que a política serve para resolver esses problemas. Precisamos que as pessoas voltem a acreditar que o seu voto conta. Que quem é eleito esta lá para resolver esses problemas. Se tivermos políticas que vão ao encontro daquilo que são os problemas da imensa maioria que trabalha e reside no nosso País – saúde, habitação, salários, trabalho … – estamos a contribuir para o fortalecimento das instituições democráticas.
Resposta da Manuela Magno:
Promoverei transparência, diálogo político e aproximação entre cidadãos e instituições, com especial atenção aos jovens e à diáspora.
Cap Magellan: Face ao aumento da desinformação nas redes sociais, de que forma Portugal pode proteger melhor o espaço público democrático, sem comprometer a liberdade de expressão?
Resposta do António José Seguro:
As redes sociais são hoje parte integrante do espaço público democrático, mas também amplificam fenómenos de desinformação, polarização e discurso de ódio. A resposta não pode ser nem a censura nem a resignação.
Defendo uma abordagem europeia firme e equilibrada, assente na responsabilização das plataformas digitais, na transparência dos algoritmos e na defesa da liberdade de expressão. Paralelamente, é essencial investir na literacia mediática, no pensamento crítico e na valorização da informação rigorosa, porque uma democracia forte depende de cidadãos informados e conscientes.
Resposta do António Filipe:
De certa forma já fomos respondendo a esta questão. Julgo que passa pelo sentido que damos as políticas que propomos. Falando a verdade, indo ao encontro daquilo que são as necessidades e os problemas com que as pessoas estão confrontadas no seu dia-a-dia, encontrando as respostas e as soluções para os mesmos.
Tomarmos decisões com base na desinformação, na mentira, no medo e na chantagem, só tem contribuído para agravarmos esses problemas. Enfrentarmos a situação actual do país exige clareza e coragem. Clareza e coragem para afirmar os valores do 25 de Abril, os valores da Constituição da República Portuguesa no presente e no futuro de Portugal.
A defesa da democracia e da Constituição não admite desânimos nem desistências. Nunca desistimos de uma luta antes de a travar e quando se trata de defender a democracia e a Constituição nunca faltámos nem faltaremos à chamada.
Resposta da Manuela Magno:
A resposta passa pela literacia mediática, transparência e responsabilização, e nunca pela restrição da liberdade de expressão.
Cap Magellan: Como pode Portugal continuar a defender, no plano internacional, os direitos humanos, a liberdade de consciência e a igualdade de género, combatendo simultaneamente as discriminações no território nacional?
Resposta do António José Seguro:
Portugal tem um dever histórico de coerência entre aquilo que defende no plano internacional e aquilo que pratica internamente. A credibilidade externa constrói-se com políticas consistentes no combate às discriminações, na promoção da igualdade de género e na defesa intransigente dos direitos humanos.
Enquanto Presidente da República, serei uma voz ativa nesses fóruns internacionais, afirmando Portugal como um país de liberdade, pluralismo e respeito, mas também atento às desigualdades e injustiças que persistem dentro das nossas fronteiras. Direitos humanos não são uma abstração diplomática: são uma prática quotidiana. Quero um Portugal justo e de excelência, que combata com determinação e eficácia as injustiças, as desigualdades, a pobreza e todas as dinâmicas que limitam a dignidade humana e a realização individual e comunitária.
Resposta do António Filipe:
No mundo perigoso e inquietante em que vivemos, temos de ter a coragem de lutar pela Paz, pela defesa dos direitos humanos, pela liberdade, contra todas as formas de discriminação. E é preciso fazê-lo quer no plano internacional, quer no plano nacional. Esse é o caminho determinado pela nossa Constituição e que temos a obrigação de seguir: o combate a todas as formas de descriminação, o respeito pelo Direito Internacional e pelos direitos dos povos, a solução pacífica dos conflitos internacionais, a não ingerência nos assuntos internos de outros Estados, a cooperação com todos os outros povos para a emancipação e o progresso da Humanidade.
Resposta da Manuela Magno:
Portugal deve ser exemplar interna e externamente. Defenderei a igualdade, a diversidade e o respeito pelos direitos fundamentais.
JUVENTUDE
Cap Magellan: A juventude lusodescendente, sobretudo em França, sente-se pouco reconhecida pelas instituições portuguesas. Como futuro Chefe de Estado, que medidas concretas tenciona adotar para valorizar o papel da juventude da diáspora e integrá-la na definição da identidade nacional portuguesa?
Resposta do António José Seguro:
A juventude lusodescendente é parte integrante da identidade nacional portuguesa e deve ser reconhecida como tal. Valorizar o seu papel implica reforçar ligações efetivas a Portugal, não apenas através da língua e da cultura, mas também por meio da educação, da formação profissional, da ciência, da inovação e do contacto regular com as instituições portuguesas.
Enquanto Presidente da República, usarei a diplomacia cultural e cidadã da Presidência para aproximar esta geração do país, incentivar intercâmbios em diferentes domínios e valorizar o associativismo jovem. A identidade nacional constrói-se de forma plural e dinâmica, integrando plenamente os portugueses que vivem fora do território nacional.
Resposta do António Filipe:
Quando tenho referido que o futuro dos nossos jovens não pode ser a emigração forçada pelos baixos salários, pela precariedade e pela negação do direito à habitação, estou naturalmente a referir-me aos jovens que estão em Portugal. Mas é precisamente começando por resolver esses problemas que afectam o nosso País, que estamos também a criar as condições, para todos aqueles que estão fora do nosso País, possam regressar, se assim o entenderem, e serem integrados, fazerem parte da identidade nacional portuguesa.
Sabemos que uma das principais, senão a principal causa que leva a que muitos vejam na emigração a única saída para melhorarem as suas condições de vida, são os salários. Aumentando os salários, estamos precisamente a contribuir, não só, para que muitos por cá se fixem, como também as criar as condições para que outros possam regressar e aqui encontrem as condições para desenvolverem todo o seu potencial.
Eu não me conformo em viver num país em que um trabalhador que ganha o salário mínimo leva para casa 774 euros líquidos e em que mais de 2,5 milhões de trabalhadores ganham menos de mil euros por mês.
Resposta da Manuela Magno:
A juventude da diáspora é central para a identidade portuguesa contemporânea. Defendo canais permanentes de participação e reconhecimento.
Cap Magellan: A Cap Magellan lançou em 2025 uma auscultação junto dos jovens lusodescendentes de França para melhor perceber as suas necessidades e aspirações. O objectivo é a constituição de um Livro Branco da Juventude Lusodescendente e apresentá-lo ao futuro Presidente de Portugal. Se for eleito, qual a receptividade que dará a esse Livro branco e às suas recomendações?
Resposta do António José Seguro:
Saúdo esta iniciativa da Cap Magellan, que considero particularmente relevante. Ouvir os jovens lusodescendentes, conhecer as suas expectativas, dificuldades e propostas, é essencial para construir políticas mais justas e eficazes.
Se for eleito, analisarei com toda a atenção o Livro Branco e as suas recomendações, valorizando-o como um instrumento de diálogo e de conhecimento. A boa decisão política começa sempre pela capacidade de ouvir que vive as realidades concretas.
Resposta do António Filipe:
Naturalmente, toda a atenção. Se esse documento contem em si as preocupações dos nossos jovens que trabalham e residem fora de Portugal e aponta soluções para os mesmos, elas devem ser examinadas, objecto de discussão e podermos trabalhar para ir ao encontro das soluções para esses mesmos problemas.
Resposta da Manuela Magno:
Comprometo-me a recebê-lo com abertura e a integrá-lo no diálogo institucional.
Cap Magellan: Muitos jovens lusodescendentes são altamente qualificados e desejam contribuir para o futuro do país. Como pode o Estado português facilitar a sua integração profissional, apoiar a criação de empresas e atrair o seu investimento para Portugal?
Resposta do António José Seguro:
É fundamental criar pontes sólidas entre Portugal e os jovens lusodescendentes altamente qualificados, diplomados, investigadores, empreendedores e profissionais especializados.
As associações de portugueses qualificados no estrangeiro, como a AGRAF em França e outras existentes noutros países europeus, na América do Norte ou na Escandinávia, são parceiros estratégicos para promover cooperação, investimento, inovação e transferência de conhecimento.
O Estado deve reconhecer este potencial e facilitar essas ligações, valorizando a diáspora como um ativo económico, científico e social para o futuro do país.
Resposta do António Filipe:
Julgo que o que referi anteriormente, responde a essa questão. A minha candidatura é a que exige um novo rumo para o País. Não podemos continuar com políticas, ou com pacotes laborais, como aquele que o actual Governo quer implementar que apostem na precariedade laboral, nos baixos salários, na degradação dos serviços públicos, na especulação imobiliária.
Temos de inverter este rumo! Esta candidatura assume essa ruptura. Esta candidatura assume o aumento dos salários, é contra a precariedade laboral, exige uma política de habitação que não seja refém dos interesses imobiliários, que não faltem professores nas escolas, que exige uma justa distribuição da riqueza, o apoio às micro, pequenas e médias empresas, com uma economia que respeite o ambiente.
Apontando este rumo, estaremos a criar condições para que esses jovens voltem a ver o seu futuro em Portugal.
Resposta da Manuela Magno:
É essencial criar condições reais de atratividade, promover mobilidade profissional e apoiar o empreendedorismo da diáspora.
Cap Magellan: Como poderá Portugal modernizar a sua política para com as comunidades no estrangeiro, passando de uma lógica de assistência consular para uma verdadeira diplomacia cívica e cultural?
Resposta do António José Seguro:
É necessário mudar de paradigma. Portugal deve evoluir de uma abordagem centrada quase exclusivamente na assistência consular para uma política integrada de diplomacia cívica, cultural, económica e científica.
As comunidades portuguesas representam Portugal no mundo e devem ser valorizadas em todas as dimensões da sua presença internacional. Cabe ao Presidente da República usar a autoridade da função para promover essa visão, incentivar boas práticas e reforçar o vínculo entre o Estado e os portugueses no estrangeiro. Temos todos o mesmo chão comum, temos de ter a capacidade de gerar condições para construir em conjunto caminhos de futuro. Portugal precisa de ter a capacidade de reter e atrair os jovens para serem parte do presente e da construção do futuro, com realização pessoal, acesso à habitação e afirmação profissional.
Resposta do António Filipe:
O que temos vindo a defender é que necessitamos de modernizar, reforçar e até alargar a nossa rede consular. Temos de ter uma política de efectiva proximidade com as Comunidades Emigrantes, que corresponda às efectivas necessidades e vá ao encontro dos problemas e aspirações das nossas comunidades. Claro que isto não esta desligado da questão do reforço dos meios – Humanos, materiais e financeiros.
Estas soluções não têm de ser iguais em toda a parte. Mas têm de ser soluções que correspondam as verdadeiras necessidades das nossas comunidades. Soluções que priorizem a proximidade às comunidades.
Resposta da Manuela Magno:
Defendo uma diplomacia cidadã e cultural que envolva associações, jovens e estruturas locais.
Cap Magellan: Como pretende promover uma política de inclusão que reflita a diversidade interna da juventude portuguesa (seja ela originária da diáspora, das ex-colónias ou das novas migrações)?
Resposta do António José Seguro:
Compete ao Presidente da República chamar a atenção para essa diversidade e garantir que ela é vista como uma riqueza e não como um problema.
Promoverei encontros, fóruns e iniciativas que envolvam ativamente os jovens, ouvindo as suas experiências e preocupações. A juventude, na sua pluralidade social, cultural e territorial, será uma dimensão central das minhas prioridades enquanto Chefe de Estado, porque uma democracia forte constrói-se com inclusão, igualdade de oportunidades e participação.
Resposta do António Filipe:
Novamente, cumprindo e fazendo cumprir a Constituição. A nossa Constituição refere, no seu Artigo 13.º, que “Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.”
Cumprindo e fazendo cumprir a Constituição, estamos a promover essa mesma inclusão.
Resposta da Manuela Magno:
A juventude portuguesa é plural; a inclusão é um imperativo democrático e social.
Cap Magellan: Estaria disposto a promover programas de estágios e intercâmbios profissionais entre empresas portuguesas e jovens da diáspora, como forma de valorizar o capital humano da lusodescendência?
Resposta do António José Seguro:
A criação de programas de estágios e intercâmbios é, naturalmente, uma competência do Governo. Contudo, o Presidente da República pode desempenhar um papel ativo na diplomacia económica, no diálogo institucional e na criação de pontes entre países, empresas e instituições.
Pretendo ser particularmente empenhado nesse domínio, porque não podemos desperdiçar a inovação, a qualificação e a vontade de contribuir que muitos jovens lusodescendentes têm. Valorizar este capital humano é reforçar os laços entre gerações, culturas e Estados, e é também investir no futuro de Portugal.
Resposta do António Filipe:
É uma questão que podia ser estudada, sim.
Resposta da Manuela Magno:
Estou totalmente empenhada em promover programas que aproximem jovens da diáspora do tecido empresarial português.
MENSAGEM À DIÁSPORA
Cap Magellan: Que mensagem gostaria de dirigir diretamente aos Portugueses e Lusodescendentes que vivem na Europa e no resto do mundo?
Resposta do António José Seguro:
Portugal é muito maior do que o seu território. Vive nas comunidades que, fora de portas, nunca deixaram cair a língua, a cultura e o sentido de pertença. Vive em quem partiu por necessidade, construiu uma vida com esforço e nunca deixou de olhar para Portugal como casa. Conheço bem a realidade das nossas comunidades na Europa. Sei das dificuldades, do orgulho e, por vezes, do sentimento de afastamento. Isso tem de mudar. Como Presidente da República, assumo um compromisso claro: onde estiver um português, estará Portugal. A Presidência será uma casa aberta às comunidades, um espaço de escuta, respeito e reconhecimento.
Vivemos tempos exigentes. A democracia precisa de participação, equilíbrio e responsabilidade. As comunidades portuguesas têm um papel essencial nesse equilíbrio: pela experiência que acumulam, pela visão europeia que trazem e pela capacidade única de ligar países, culturas e gerações.
Não deixemos que outros decidam por nós. O voto de cada português conta, esteja onde estiver. Participar é proteger a democracia. Votar é afirmar pertença. Acredito num Portugal justo e de excelência, construído com todos — os que ficaram e os que partiram. Um país que respeita quem emigrou e não abdica do seu futuro. Se merecer a vossa confiança, serei um Presidente que une, cuida e representa todos os portugueses, em qualquer lugar do mundo.
Resposta do António Filipe:
Gostaria de deixar uma mensagem de esperança. Para continuarem a acreditar neste País, que é meu, é vosso, neste Portugal. De me dirigir a todos aqueles que, independentemente das razões que vos levaram a procurar uma vida melhor noutros países, tanto para vós, como para os vossos familiares, não esquecem, nem deixam de ter nas vossas preocupações, este País.
A realidade está a mostrar que a candidatura que protagonizo é necessária e insubstituível, enquanto a candidatura que afirma como questão central o trabalho e os direitos dos trabalhadores; que rejeita a submissão do País ao poder económico; que corresponde aos interesses e às aspirações do povo, da juventude, dos emigrantes; que defende a paz e rejeita o militarismo e a guerra; que dá continuidade a um imenso legado de luta em prol das liberdades e direitos democráticos e contra concepções reacionárias e fascistas; que é portadora e que projecta os valores de Abril.
Uma candidatura que tem presente as aspirações e os problemas de todos aqueles que trabalham e vivem fora de Portugal; que se dirige a todos os que, deixando família, amigos e raízes para procurar fora o que lhes foi negado em Portugal, não esquecem e sentem o seu País. Uma candidatura que valoriza a Cultura e o ensino da Língua Portuguesa no estrangeiro; que reconhece a importância do movimento associativo; que exige um Estado presente, com serviços consulares de proximidade que respondam verdadeiramente às necessidades presentes. Uma candidatura que defende que é necessário criar as condições para que aqueles que queiram regressar a Portugal, o possam fazer. Que não se conforma com o estado a que o País chegou. Que não se conforma que hoje mais de dois milhões de portugueses tenham de procurar a sua realização profissional fora do País, o que faz de Portugal um dos países com maior proporção de emigrantes. Uma candidatura que é portadora de uma profunda exigência de uma efectiva mudança, que rompa com as causas das injustiças e das desigualdades; que sabe e afirma que é possível um Portugal mais justo, desenvolvido e soberano. É possível darmos um novo rumo para o nosso País! Não desistam de travar esta batalha, como eu não desisto! Esta é a candidatura “da esperança que não fica à espera”.
Resposta da Manuela Magno:
A todos os Portugueses e Lusodescendentes que vivem na Europa e no resto do mundo, quero deixar uma palavra de reconhecimento e de futuro. Vocês também são Portugal. Portugal vive em cada comunidade, em cada família, em cada jovem que constrói pontes entre culturas, que trabalha, que estuda, que cria e que honra os valores de Abril.
Como Presidente, quero ser uma Presidente para todos — para quem vive aqui e para quem vive lá fora. Quero ouvir-vos, envolver-vos e valorizar-vos como parte essencial da nossa comunidade nacional e do nosso futuro coletivo. O país precisa da vossa energia, da vossa visão global, do vosso talento e da vossa dedicação. Conto convosco — e podem contar comigo.




