
« Charbon et photographie : territoires méconnus », par Romy Castro
27 décembre 2025
Élections présidentielles portugaises 2026 : les candidats et la diaspora
29 décembre 2025Após o final do mês de dezembro propício à celebração e ao convívio com os demais, nas semanas seguintes, é sempre frutuoso relembrar os episódios além de homenagear a memória dos indivíduos que ritmaram o ano de 2025. Todos os nomes referidos neste dossier contribuíram de uma forma significativa pelo seu talento e pela simbólica por detrás do seu reconhecimento ou daquilo que sucedeu. Em suma, esta simples listagem é apenas indicativa pois houve muito mais acontecimentos, mais vozes, mais rostos que continuamente escrevem a história.
Personalidades do ano 2025: Os irmãos Teixeira Da Silva (Diogo Jota e André Silva)
Diogo e André Teixeira Da Silva foram figuras importantes do futebol nacional, contribuindo à sua escala ao esplendor de Portugal. Diogo Jota foi por um lado um jogador internacional no Liverpool, estreando-se pela primeira vez na equipa nacional em 2019. Tal como o seu irmão, André, seguia uma carreira no futebol tendo começado na Academia do FC Porto na sua infância, e seguidamente nos clubes de Gondomar e Penafiel. No dia 3 de julho de 2025, ambos os fraternos faleceram num acidente rodoviário em Espanha enquanto estavam a caminho de Inglaterra devido ao estado de saúde de Diogo Jota.
As outras personalidades do ano de 2025 por áreas culturais:
Música:
- Barbara Tinoco
Barbara Tinoco é uma cantora e compositora portuguesa revelada ao público no The Voice Portugal com a canção “Antes de ela dizer que sim” que emocionou todos com a sensibilidade que caracteriza os seus versos. O timbre suave da sua voz combinado com a sinceridade de estar nas suas composições, continuam a manter presença nas playlists dos portugueses. No ano de 2025, Barbara Tinoco é a artista feminina portuguesa mais ouvida no território nacional. Recentemente, a artista revelou dois títulos, “Devias Ter-te traído” e “Tem lá uma tristeza”, dois sons que revelam as fragilidades sentidas em relacionamentos amorosos.
- Calema
António e Fradique Oliveira Ferreira mais conhecidos pelo dueto artístico Calema, voltaram novamente a seduzir o público com um concerto histórico no Estádio do Benfica, – uma novidade para grupos lusófonos –, para além de fazer parte dos artistas mais escutados em Portugal com “Amar pela Metade” (2024), cujo vídeo filmado em Timor-Leste abraça visualmente e musicalmente a multiculturalidade lusófona.
- NAPA
Originários da ilha da Madeira, os NAPA são uma banda de música indie pop-rock que representou Portugal na 69. a edição do Festival da Eurovisão em Basileia. “Deslocado” é um hino a todos aqueles que estão longe da sua terra e que constantemente sentem saudade das suas raízes. Numa lente diferente, o grupo revelou no mês de novembro “Amar de Novo” com Jovem Dionísio, uma música que apesar das sonoridades bailantes dos anos 70 possui uma letra quebrada fazendo eco a uma decepção amorosa.
- Plutónio
Plutónio é um dos artistas hip-hop mais relevantes da atualidade. Artista luso-moçambicano, João Ricardo Azevedo domina os charts a nível nacional com “Interstelar” e o álbum “Carta de Alforria” que remete para a libertação ou em outras palavras à sua emancipação como Homem e artista. Nos seus raps, as melodias vibrantes sublinham o quanto autêntico são os seus textos entre realidade e intimidade.
Cinema:
- Fernanda Torres
Fernanda Pinheiro Torres é uma atriz e escritora carioca sendo considerada uma das pessoas mais influentes e laureadas no panorama brasileiro. Embora ela tenha participado em inúmeras telenovelas como “Baila Comigo” (1981) e “As Filhas da Mãe” (2001), foi propositadamente na sétima arte, que a atriz brilhou. No mês de janeiro de 2025, após décadas de experiência, o seu nome foi celebrado nos Globos de Ouro pela sua sincera interpretação de Eunice, uma mulher que procura numa luta árdua o seu marido em plena ditadura militar no filme “Ainda Estou Aqui” (2024).
- João Pedro Vaz
João Pedro Vaz é um ator português natural de Santa Marta de Penaguião. Se ele começou numa primeira fase da sua vida a interessar-se à engenharia química, em Coimbra, o teatro tornou-se uma verdadeira paixão e profissão. O seu desempenho em “Colo” (2017) permitiu-lhe consolidar o seu renome mas foi no filme “Os papéis do Inglês” (2024) que a sua interpretação baseada no escritor Ruy Duarte Carvalho em pleno deserto da Namíbia nos anos 1920 possibilitou-lhe a vencer o prémio do melhor ator de cinema nos Globos de Ouro em setembro.
- Rabo de Peixe
Em outubro deste ano, a segunda temporada da série portuguesa “Rabo de Peixe” regressou aos pequenos ecrãs com a presença de peripécias e de personagens que vão derrubar o quotidiano dos protagonistas. Três meses depois dos acontecimentos da primeira temporada, este segundo capítulo promete surpresas num arquipélago dos Açores que volta a ser o palco principal das ações.
Arte:
- Adriana Varejão
Adriana Varejão é uma artista plástica e escultora brasileira que foi homenageada este ano conjuntamente com a Paula Rego no Centro de Arte Moderna Gulbenkian (CAM). “Entre os vossos dentes” ressoa com a simbologia das duas pintoras que, por certo, não têm a mesma identidade visual ou o mesmo percurso de vida mas que partilham a necessidade em expor temas sociais atuais. A singularidade de Adriana Varejão reside na sua capacidade em exprimir temas tabus como o colonialismo e o fetichismo em composições que impactam pelo uso de uma narrativa visceral e frágil.
- Bordalo II
Artur Bordalo ou simplesmente Bordalo II é um artista contemporâneo português cujo alcunha criativo tem raiz no seu avô, o pintor Real Bordalo famoso pelas suas representações pictóricas da cidade de Lisboa. A obra de Bordalo II é um puro e simples exemplo da matriz da arte contemporânea sendo ela algo que provoca debates e diálogos sobre o que é verdadeiramente arte. Por um lado, ele produz peças zoomórficas inéditas realizadas a partir de materiais recuperados nas ruas e em lixeiras e, por outro, sintetiza os seus estados de emoções e de reações perante questões sócio-políticas. Este ano, ele foi representado na Galeria Mathgoth com cerca de quarenta obras relativas à sociedade e as suas consequências.
Literatura:
- Asterix na Lusitânia
Publicado em outubro de 2025, as aventuras do Asterix e Obelix expandem-se, percorrendo o território português ocupado pelos romanos. Na tentativa de ajudar um lusitano, os gauleses vão sensibilizando-se à cultura portuguesa com o fado, a calçada portuguesa e os azulejos. Esta banda desenhada reforça com humor o desejo dos fiéis leitores em celebrar Portugal mas também concede aos mais novos uma representação sem igual da nossa querida Lusitânia num universo tão icónico como o Asterix.
- Ana Paula Ribeiro Tavares
Ana Paula Ribeiro Tavares é uma poetisa e historiadora angolana nativa da cidade de Lubango. Ela viveu parte da sua infância em Angola, seguindo posteriormente os seus estudos superiores em Portugal em áreas relacionadas com a literatura, a etnologia e a história. A sua escrita, influenciada pela literatura moderna brasileira, foi recompensada com um Prémio Camões este ano, assegurando-lhe um reconhecimento sem igual.
Desporto:
- A qualificação de Cabo Verde ao Mundial
A história está sempre a escrever-se e um exemplo disso é a qualificação de Cabo-Verde ao Mundial de 2026. No dia 13 de outubro, os tubarões azuis derrubaram uma outra nação africana, a Essuatíni. Pela primeira vez, o arquipélago cabo-verdiano vai ter uma representação no Mundial de futebol e possibilitar a oportunidade de mostrar o seu valor. No próprio dia dessa conquista, a felicidade do povo cabo-verdiano assinalou-se nas ruas e nas redes sociais.
- Childe Dundão
Childe Dundão é um jogador de basquete angolano que exerce como armador no Petra Luanda no âmbito da Liga Angolana de Basquete. Em 2025, ele representou o seu país, na seleção nacional, contribuindo para a obtenção de uma medalha de ouro para Angola durante a FIBA Afrobasket. Neste mesmo campeonato, Childe foi nomeado como o jogador mais valioso (MVP: most valuable player) o que reforça o seu status como um atleta de alta importância nos próximos anos.
- Daniel Varela de Pina
Daniel Varela de Pina é um pugilista cabo-verdiano. Proveniente da ilha de Santiago, o atleta está atualmente a residir e treinar em Portugal. Em 2024, triunfou na categoria até 52kg com uma medalha de bronze, uma vitória pioneira uma vez que ele se converteu no primeiro medalhista para o seu país, Cabo-Verde, e o segundo para a um país da África lusófona.
Os eventos marcantes de 2025:
- A adesão de Timor-Leste à Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN)
No dia 26 de outubro o Estado de Timor-Leste, representado pelo seu Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, aderiu ao ASEAN, após décadas de esforços e de tentativas. Este reconhecimento fortifica os seus laços políticos com os restantes países asiáticos e acima de tudo uma notável abertura para o comércio internacional.
- A COP 30 no Brasil
Em novembro, ocorreu a COP 30 em Belém, uma cidade que simbolicamente e geograficamente abre as suas portas à Amazónia. Esta localização chave não foi escolhida por azar pela razão que o governo brasileiro apresentou um conjunto de estratégias para implementar uma política duradoura de transição ecológica.
- A Saison France-Brésil
Entre abril e dezembro, a Saison France-Brésil correspondeu a uma rede de cerca de 300 eventos cujo interesse foi de recordar o bicentenário de relações diplomáticas entre os dois territórios. Entre exposições, concertos, bailes e performances musicais, esta saison realizou-se em três continentes (Europa, África e América do Sul) para abranger um máximo de interessados.
- A Tempestade tropical Erin em Cabo-Verde
Em agosto, a tempestade Erin acompanhou-se de estragos humanos e materiais incomparáveis em Cabo-Verde e como prova na ilha de São Vicente. No meio de chuvas e de cheias intensas, de casas destruídas pelo vento, o povo cabo-verdiano uniu-se para proteger aqueles que perderam um familiar, uma vivenda, e a esperança. Naquela noite de tremor, a depressão foi tão intensa que tinha chovido o equivalente a mais de um ano de chuva. A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho foi um dos agentes que ajudou ao dia-a-dia os milhares de deslocados. Dois dias de luto nacional foram declarados a seguir a este episódio climático relembrando a fragilidade do ambiente e dos seres humanos que vivam nele.
- O Apagão na península ibérica
No dia 28 de abril, no início da tarde, um corte de electricidade marcou para sempre os habitantes da Península Ibérica. Num só dia, os transportes públicos estavam parados, incapazes de circular sem luz, as cidades estavam bloqueadas pelos carros e motociclos desorientados pela ausência das luzes de circulação e os comércios eram esvaziados pelas pessoas, aterrorizadas a ideia do apagão alargar-se. Na madrugada, os milhões de habitantes em Portugal, em Espanha e em Andorra que estavam a viver às escuras no período de um dia, voltaram pouco a pouco a retomar o seu quotidiano sem saber a razão pela qual houve o apagão. O que é certo é que este sucedido foi real para aqueles que o sentiram e sobretudo pode suceder a qualquer momento pelo motivo que o risco de falhas elétricas é bem superior às expectativas.
- O acidente do Elevador da Glória
Em setembro, um dos pilares mais reputados da cidade de Lisboa quebrou em frente de pedestres. O Elevador da Glória, localizado em pleno Chiado, entre a praça dos Restauradores e o miradouro de São Pedro de Alcântara é um espaço turístico frequentado o dia todo, mas na tarde do dia 3 de setembro, por motivos ainda nebulosos, o elevador descarrilou causando a morte de 15 indivíduos e o ferimento de 23 outras. Dentre esses números, uma parte significativa era estrangeira oriundos de países como a França, a Coreia do Sul, a Inglaterra e o Canadá, entre outros. Hoje em dia, as autoridades tentam esclarecer o motivo principal deste acidente para evitar futuros danos.
- Os 50 anos de independência de Angola e Moçambique
Neste ano celebrou-se os 50 anos de independência de Angola e de Moçambique. Em ambos os países, os temas da paz e da reconstrução formaram parte dos lemas. Em Angola, as comemorações consagraram-se entre novembro e dezembro com tributos ao Agostinho Neto, enquanto que em Moçambique, o uso de uma chama, símbolo de unidade e de progresso, encaminhou de norte a sul até a capital, Maputo.
Sophie Abreu Da Cunha




