
Cap Magellan organise sa Soirée de Gala de Remise de prix à la Sorbonne Université Campus Pierre et Marie Curie
31 décembre 2024
Entretien avec Fiona French Fadista
9 janvier 2025De acordo com os dados da Eurostat divulgados no final de 2025, Portugal é o 9.º país europeu com mais trabalhadores precários. De facto, em 2024, 9,2% dos trabalhadores portugueses estavam em risco de pobreza. Portugal está 1% acima da média da União Europeia, já que 8,2% das pessoas com 18 anos ou mais que declararam estar empregadas (por conta de outrem ou por conta própria) na UE estão expostas à pobreza.
Os Estados-membros com a taxa mais elevada de empregados em risco de pobreza são o Luxemburgo (13,4%), a Bulgária (11,8%) e a Espanha (11,2%). As taxas mais baixas registaram-se na Finlândia (2,8%), na República Checa (3,6%) e na Bélgica (4,3%). De modo geral, os homens são mais afectados do que as mulheres (9,0% contra 7,3%). O fenómeno verifica-se em 22 países da UE. Com 10% dos homens e 8,3% das mulheres em risco de pobreza, Portugal não é exceção. Só a Alemanha (onde as taxas eram iguais para homens e mulheres), a República Checa, a Letónia, Chipre e o Luxemburgo (onde as taxas eram mais elevadas para as mulheres do que para os homens) estão em contraciclo com esta tendência. No total, 93 milhões de pessoas são identificadas como em risco de pobreza ou exclusão social, o que representa 21% da população da União. Este valor é 1,2 milhões mais baixo do que em 2023.
Sempre segundo o estudo da Eurostat, o risco de precariedade é ainda maior entre as populações imigrantes. No conjunto da UE, 18,6% dos adultos (com 18 ou mais anos) naturais do país da UE onde residiam estão em risco de pobreza ou exclusão social. As percentagens são consideravelmente mais elevadas para os cidadãos da UE residentes noutro país da UE (26,9%) e ainda mais elevadas para os cidadãos de países não pertencentes à UE (43,8%). Portugal está entre os cinco países da UE onde a percentagem de nacionais em risco de pobreza ou exclusão social era superior à percentagem de cidadãos de outros países da UE. Este fenómeno pode explicar-se em parte pelo elevado número das chegadas de pensionistas particularmente abastados entre os imigrantes europeus.
O relatório salienta também que, em Portugal, a taxa de pobreza entre trabalhadores com contrato temporário é mais do dobro da registada entre os trabalhadores com vínculo permanente. A análise da relação entre a composição do agregado familiar e o risco de pobreza aponta algumas diferenças. Com uma taxa respectiva de 31% e 28,2%, as famílias monoparentais e as famílias numerosas estão entre as mais vulneráveis. Os adultos que vivem sozinhos enfrentam, por seu lado, um aumento do risco de pobreza (+3,7%) face a 2023. Além disso, observa-se que, por toda a UE, o risco de pobreza diminui à medida que a escolaridade aumenta. Em Portugal, a taxa de risco de pobreza é de 23,5% para quem frequentou só a escola primária e cai para 6,5% para quem tem um diploma universitário. Apesar dos progressos desde 2008, Portugal continua a ter uma população adulta pouco qualificada, o que aumenta o risco de empobrecimento global da sociedade.
Não surpreendentemente, os trabalhadores com salários mais baixos são também aqueles que enfrentam condições de trabalho desconfortáveis ou mesmo perigosas. Entre eles, 39,6% queixam-se de posições cansativas ou dolorosas durante o trabalho, 23,8% manipulam cargas pesadas e 21,3% estão expostos a calor extremo. Logicamente, a exposição a condições perigosas tem impacto negativo na saúde dos trabalhadores, nomeadamente limitações em actividades diárias.
Céline Crespy




