
MISS AMERICA : Récit d’un naufrage réussi
17 juin 2026Sabias que a história da Península Ibérica começou muito antes dePortugal e Espanha existirem? Vamos fazer uma pequena viagem no tempo para descobrir quem foram os primeiros habitantes desta região!
Há cerca de cinco milhões de anos, os primeiros antepassados do ser humano apareceram em África. Muito mais tarde, há cerca de um milhão de anos, alguns deles chegaram à atual Península Ibérica. Esses grupos viviam em pequenas comunidades nómadas, isto é, mudavam frequentemente de lugar. Sobreviviam graças à caça, à pesca e à recolha de frutos e plantas. Além disso, deixaram-nos um tipo de arte muito especial: a arte rupestre. Em grutas ou em rochas ao ar livre, pintavam e gravavam cenas da vida quotidiana, especialmente caçadas, que eram fundamentais para a sua sobrevivência.
Com o passar do tempo, o clima tornou-se mais quente e começaram a crescer novas plantas, como o trigo e a cevada. Foi então que surgiram povos que aprenderam a domesticar animais, como cabras e ovelhas, que lhes forneciam alimentos, lã e peles. Esses povos também começaram a cultivar a terra e a construir aldeias, pelo que se tornaram sedentários. Para trabalhar melhor, criaram ferramentas importantes, como a foice para cortar cereais e a roda, com a qual começaram a moergrãos de trigo para fazer farinha.
Ao longo dos séculos, vários povos chegaram à Península Ibérica à procura de terras férteis e recursos naturais.
Por volta de 1000 a.C., os iberos instalaram-se na região oriental da península. Viviam em tribos e dedicavam-se à agricultura e à pastorícia. Também produziam estátuas e peças de ourivesaria. Mais tarde, no século VI a.C., chegaram os celtas, vindos do norte e do centro da Europa, que construíramcastros, ou seja, aldeias fortificadas no topo das colinas. Os celtas eram excelentes trabalhadores do ferro e fabricavam armas e instrumentos agrícolas. Com a cevada que cultivavam costumavam produzir cerveja. No sul e sudeste da península, as terras junto aos rios eram muito férteis, o que permitia melhores condições de vida do que nas regiões a norte do rio Tejo. Além da agricultura, o comércio de metais, como ouro, prata, cobre e estanho, ajudou a desenvolver a economia.
Entre 750 e 250 a.C., outros povos do Mediterrâneo como os fenícios e os gregos chegaram atraídos pelas riquezas da península.
Os fenícios, vindosdo atual Líbano e da Síria, eram excelentes navegadores e comerciantes. Trocavam tecidos, vidro, armas e objetos de luxo por metais. Foram também responsáveis pela criação de um alfabeto com 22 consoantes, que influenciou muitos alfabetos ainda usados hoje.
Os gregos fundaram colónias na costa mediterrânica, introduziram o uso de moedas e competiram com os fenícios a nível do comércio.
Mais tarde, chegaram os cartagineses, vindos de Cartago, no atual território da Tunísia. Eles dominaram grande parte do comércio no Mediterrâneo Ocidental. A presença cartaginesa despertou o interesse de um novo império : Roma.
Por volta de 218 a.C., os romanos chegaram à Península Ibérica para controlar o comércio e explorar os recursos naturais. Depois de derrotarem os cartagineses, começaram a conquistar a península. Nem todos os povos aceitaram facilmente essa conquista. Os lusitanos, por exemplo, resistiram durante muito tempo. O seu líder mais famoso foi Viriato, que organizou ataques e emboscadas contra os romanos. Em 139 a.C., Viriato foi assassinado, mas a resistência contra os invasores romanos continuou durante algum tempo.
Os romanos permaneceram na Península Ibérica durante quase sete séculos. A cultura romana influenciou profundamente a vida dos peninsulares. Eles trouxeram novas técnicas de agricultura, comércio e construção e introduziram o latim, a língua que deu origem ao português, ao espanhol, ao francês e a outras línguas. Também construíram cidades, estradas, aquedutos, teatros, templos e termas. Algumas cidades fundadas nessa época ainda existem hoje, como Chaves, Braga, Évora e Lisboa.
Jérémy Ruiz-Paredes, professeur de portugais au Collège Georges Brassens et au Lycée Blaise Pascal à Brie-Comte-Robert (77). Membre du CA de l’ADEPBA




