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3 mars 2026O espírito de resiliência e a herança madeirense continuam a prosperar nos cantos do mundo, como expressa orgulhosamente o seu hino “Por esse mundo além”. Tem tido uma força admirável desde o século XIX, quando os madeirenses emigraram em massa para várias nações insulares das Caraíbas, sendo Trinidad e Tobago o primeiro território a receber portugueses provenientes da ilha da Madeira.
Trinidad e Tobago, oficialmente República de Trinidad e Tobago, é um país insular soberano localizado no mar das Caraíbas, na região norte da América do Sul. Formado pelas ilhas principais, Trinidad e Tobago, e por outras numerosas e muito menores, está situado a 130 quilómetros a sul de Granada e a 11 quilómetros da costa nordeste da Venezuela. A sua capital é Porto de Espanha e a sua cidade mais populosa é Chaguanas. Além disso, partilha fronteiras marítimas com Barbados.
A comunidade luso-trinitária reuniu-se num brunch comemorativo em Porto de Espanha, no passado domingo, 7 de dezembro de 2025, celebrando 191 anos de história e cultura partilhadas. O evento contou com a presença de membros de famílias que remontam a várias vagas migratórias, desde 1846 até ao século XX, e que hoje representam uma parte importante da sociedade trinitária. Alguns dos apelidos representados incluem Andrade, Chaves, Ferreira, Jardim, Gomes, Gonçalves, Nóbrega, Pereira, Rodrigues, Santos, Silva e Soares, entre outros.
O momento foi ainda mais especial com o regresso do Capitão Gerard de Silva, natural da Calheta, que viajou da Madeira para passar o Natal com a família. O Capitão de Silva, facilmente reconhecível pela sua bandana característica, surge na fotografia, com os seus pais sentados em posição de destaque, à frente, do lado direito.

Presente também no evento, a Conselheira da Diáspora Madeirense nas Caraíbas, Jo-Anne Ferreira, afirmou a importância de celebrar esta efeméride e de reconhecer o legado de coragem e a contribuição histórica desta diáspora, maioritariamente de origem madeirense, hoje profundamente enraizada em Trinidad e Tobago.
Estes encontros anuais são fundamentais para manter viva a memória coletiva e o vínculo afetivo com a ilha da Madeira, assegurando que o legado do Stralhista, que chegou a Trinidad e Tobago a 7 de dezembro de 1834, é honrado por cada nova geração de luso-descendentes.
Esta chegada é crucial para a história demográfica da ilha. Embora a presença portuguesa em Trinidad remonte a um período tão antigo quanto o século XVII, e a de açorianos ao início de 1834 (antes da abolição da escravatura), o Stralhista marca o ponto de partida documentado da migração de madeirenses para a região. Este fluxo ocorreu meses após o fim oficial do trabalho escravo, sinalizando o início da imigração contratada que transformaria o panorama social e económico caribenho.
O Stralhista partiu da Madeira em 12 de novembro de 1834, transportando 28 passageiros – 25 homens (incluindo menores) e 3 mulheres. Estes pioneiros, oriundos de diversos concelhos como Funchal, Machico, Santa Cruz e Porto Santo, representavam o espírito resiliente de um povo forçado a procurar novas oportunidades no estrangeiro. A viagem do Stralhista estabeleceu a rota para uma das comunidades madeirenses mais influentes das Américas, que se consolidaria em Trinidad e Tobago, São Vicente e Granadinas e Guiana, entre outros territórios.
Portugal tem representação diplomática em Trinidad e Tobago através do seu embaixador concorrente, João Pedro de Vasconcelos Fins do Lago, residente em Caracas, na Venezuela, que apresentou as suas credenciais à Presidente de Trinidad e Tobago, Christine Carla Kangaloo, em outubro de 2024. No entanto, as relações bilaterais entre os dois países estão estabelecidas desde 2 de setembro de 1977, contando ainda com um Consulado Honorário de Portugal em Porto de Espanha, chefiado por William Ferreira, sob a tutela do Consulado-Geral de Portugal em Caracas, na Venezuela.
Marcos Ramos Jardim
Foto: Jo-Anne Ferreira, Conselheira da Diáspora Madeirense nas Caraíbas




