
Sortie du film Justa de Teresa Villaverde
9 mars 2026O grupo Capitão Fausto está prestes a arrancar para uma tour que passa por Madrid, Barcelona, Bruxelas, Amesterdão, Paris e Londres. A Cap Magellan obteve uma entrevista exclusiva.
Cap Magellan: A primeira curiosidade que muitos fãs ainda têm: Como é que escolheram o nome Capitão Fausto?
Capitão Fausto: O nome acaba por ser só um nome. Andámos a pensar num nome e é o que surgiu e que nós gostámos. Não tem grande história mística por trás.
CM: Nessa altura, lançaram o Gazela. Como foi o processo de criação desse primeiro álbum? Vocês já tinham posto os pés num estúdio a sério ou foi uma descoberta total?
Capitão Fausto: Já, mas não daquela forma. Já tínhamos tido a experiência de gravar com as nossas bandas antigas. Às vezes era aquele modelo em que se ia para um estúdio mais pequeno e se alugava um dia o estúdio para gravar. Aqui foi mesmo 10 dias a gravar músicas que estivemos a fazer e lá está. Desde que a banda começou e deu alguns concertos a tocar covers, etc. Também começámos a fazer as nossas próprias músicas. O Gazela é um bocado o expoente máximo dessas primeiras músicas que nós fizemos e que depois foram gravadas num estúdio. Foi um álbum que nos é muito querido porque também teve uma canção que acabou a passar muito na rádio. Foi também esse álbum e essa canção que nos fizeram levar a nossa música desde muito novos já um bocado por todo o país. Portanto, essas canções são o reflexo desse período.
CM: Como é que cinco amigos gerem a escritura artística das vossas canções?
Capitão Fausto: Sempre tentámos pôr-nos todos de acordo. Nós, desde sempre, a maneira como fazemos música é… Começa na sala de ensaios e começamos a tocar uns com os outros. Uma ideia que alguém possa ter trazido ou que surge ali no momento. A música depois vai sendo criada à volta disso. Tem sempre um processo muito argumentativo à volta das decisões. Em que uns gostam mais de uma coisa, outros gostam mais de outra. Mas avança e vai ficando cristalizado à medida que nos vamos pondo de acordo e que vamos conseguindo também convencer uns aos outros.
CM: Existe alguma música do vosso repertório que vos emocione particularmente ao tocar ao vivo?
Capitão Fausto: Eu acho que talvez quando se toca as músicas ao vivo elas às vezes tocam-nos mais proporcionalmente relacionadas com o entusiasmo das pessoas que as estão a ouvir. Portanto, se calhar de repente há um concerto qualquer em que uma música puxa uma determinada reação do público e aquilo dá-me um determinado gozo de tocar. Não diria que há assim uma música para mim mais especial mas a verdade é que com os anos algumas músicas tornaram-se muito queridas do nosso público e então um concerto, que é um momento de simbiose entre as músicas que fazemos e quem as ouve às vezes há momentos muito especiais com algumas canções.
CM: Qual é o lugar insólito onde gostaram de gravar uma música?
Capitão Fausto: O carro! Durante muito tempo, fazíamos música no carro e eu escrevia a letra das músicas no carro porque sempre gostei muito. O carro tem um som abafado e consigo encontrar a inspiração toda.
CM: O vosso último álbum Subita Infinita saiu em 2024, há 2 anos. Foi um álbum que consolidou muito a vossa identidade. Estão a preparar um novo álbum?
Capitão Fausto: Para já estamos de olhos postos na digressão agora por algumas cidades da Europa, Paris inclusivamente. Vai ser a segunda vez que o vamos fazer, no ano passado já passámos por aí. Portanto estamos preocupados e focados em como é que vamos fazer este espetáculo, o que é que vamos trazer de novo em relação ao ano passado e como é que vamos apresentar-nos às pessoas.
Ainda este ano já lançamos uma música que é Escolhas saiu em janeiro deste ano. Faz parte de um trabalho maior que vai sair ao longo do ano e de uma banda sonora de um filme que vamos apresentar. Portanto, neste momento os planos da banda são esses e eventualmente começarmos a trabalhar em breve, talvez a partir de meio do ano num álbum novo de canções.
CM: Têm colaborações previstas?
Capitão Fausto: Nós pela primeira vez fizemos uma colaboração em disco no Subida Infinita com o Tim Bernardes que é um artista que, além de ser nosso amigo já há muito tempo, com quem temos vindo a trabalhar. Colaboramos com ele e quando fomos agora tocar ao Brasil também colaboramos com o Zé Ibarra ao vivo e tocámos com estes dois artistas em concerto. Eu diria que foram duas colaborações que nós gostávamos muito de ter feito e fizemos. Não há propriamente ainda uma ideia específica do que é que o próximo disco vai ser. Os primeiros processos de composição também decidem muito como é que o disco depois acaba por se transformar. Portanto, ainda não sabemos exatamente se vamos procurar mais colaborações ou se vamos fazer uma coisa mais virada para nós os quatro. Mas iremos estar atentos. Em Paris, um disco que eu ouvi muito no ano passado é o disco dos Papooz. Portanto, se nos cruzássemos seria com certeza muito interessante.
CM: Qual seria a vossa colaboração de sonho?
Capitão Fausto: É difícil isolar um. À medida que vamos ouvindo música vamos aumentando cada vez mais a quantidade de artistas que admiramos e com quem gostaríamos de trabalhar. Por isso é que a minha resposta foi um bocadinho vaga. Acho que vai depender da música em questão e vai depender da altura em questão e da disponibilidade e do interesse do próprio artista. Portanto vou evocar a quinta emenda e não responder a essa pergunta diretamente.
CM: A vossa passagem por cidades como Paris e Londres é sempre muito esperada, especialmente pela nossa comunidade. Que mensagem gostariam de deixar aos jovens lusodescendentes?
Capitão Fausto: Eu acho que vou dar uma resposta um bocadinho mais ampla. Mas se houver algum tipo de mensagem, nós estamos muito mais focados à volta da música do que em querermos que as pessoas pensem exatamente como nós. Acho que é importante que nós demos espaço a cada pessoa pensar como quer e independentemente de nos ouvir ou não. Se houver alguma direção que nós apontamos um bocadinho mais, é a direção das pessoas gostarem umas das outras. Nós, através dos nossos concertos, uma das coisas que me dá mais gozo é ver que as pessoas que não se conhecem de lado nenhum se juntam num mesmo momento, a dançar ao mesmo ritmo e a sorrir nas mesmas ocasiões. Essa se calhar é a mensagem que eu acho mais importante para a nossa profissão: que as pessoas gostem umas das outras, se tolerem, aceitem as suas diferenças. Especialmente com esta digressão estamos a fazer algo que em 15 anos não teria sido tão possível, que muitas pessoas gostam e seguem a nossa banda, e nos últimos anos não têm tido a possibilidade de a ouvir porque nós não tocamos fora de Portugal. Portanto é também a nossa ideia com esta digressão que consigamos chegar, a lusodescendentes também e não só, com a nossa música e que o nosso concerto seja um local de encontro e onde este diálogo e esta partilha possa acontecer. Por isso é que agora estamos a fazer as pazes. A apanhar o tempo perdido. Estamos a fazer as pazes com o público que já gostava e queria ouvir as nossas músicas há muito tempo e nós ainda não tínhamos encontrado formas de a conseguir levar. Portanto aquilo que o Tomás diz, eu acho que adicionava isto que é vamos levar essa ideia de partilha e de união através da música num concerto.
CM: Estávamos presentes o ano passado no Point Éphemère, quais são as vossas expectativas para o concerto no Petit Bain?
Capitão Fausto: Estou muito curioso. É sempre bom conhecer uma sala nova onde nós nunca tocámos. O Point Éphémère correu muito bem. Eu adorei o programa todo da tarde. Além do concerto, a esplanada em cima do canal. Toda essa tarde ficou na nossa memória. Este ano vai ser outra vez em cima de um canal. Vamos estar a flutuar num barco. Estou muito curioso por ver o Petit Bain e ver quem é que vai aparecer. Levamos um concerto um bocadinho diferente do que foi no ano passado. Espero que venham também.
CM : Vamos estar presentes para vos aplaudir em Paris! Mais uma vez muito obrigado a vocês! Bons concertos, arrasem tudo nos palcos da Europa!
Capitão Fausto: Estão bem vindos. Obrigado por nos verem, até lá!
Não se esqueça de comprar os seus bilhetes para a digressão: Madrid 11 março, Barcelona dia 12 de março, Bruxelas dia 14 de março, Amsterdão dia 16 de março, Luxemburgo dia 17 de março, Paris dia 18 de março e Londres dia 20 de março.
Entrevista realizada pela Clarisse Bernardino,
de Tempestade 2.1.
Publié le 13/03/2026




