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28 octobre 2026FOJO é uma banda desenhada mas sobretudo um thriller num contexto histórico do norte de Portugal. Cap Magellan entrevistou Osvaldo Medina, autor e ilustrador da obra.
Cap Magellan: Olá Osvaldo, espero que esteja tudo bem contigo. Foi publicada a tradução da tua obra FOJO em francês, dia 14 de outubro. Como é que estás a viver a estreia?
Osvaldo Medina: A editora tem feito um trabalho exemplar em termos de promoção. Para mim, como é óbvio, é um orgulho enorme ter uma obra minha editada em França e agora, vamos ver os resultados, vamos ver se as pessoas aderem ou não.
CM: FOJO é um thriller histórico. Como é que imaginaste a personagem do assassino?
Osvaldo Medina: A ideia original da história começou há alguns anos atrás, talvez 10. Eu estava no norte do país e visitei um fojo, que agora é um monumento. Estava no topo, a olhar para o fundo, e pensei, em vez de lobos, porque não uma pessoa a ser perseguida aqui, no meio da neve? E pronto, a história veio daí. A ideia inicial é na realidade o monumento final da história. Por isso tudo depois foi construído, digamos, para trás. De tal maneira que eu comecei a história há uns anos, depois parei, porque achei que ainda não tinha a história fechada.
CM: O assassino viveu a Primeira Guerra Mundial. Era importante para ti falar deste aspecto histórico?
Osvaldo Medina: Eu acho que enquadrava, porque em muitas outras histórias que nós temos, há uma razão para o assassino ser como é e muitas vezes essa razão vem em parte de uma guerra. Agora, na história recente, Portugal só teria ou a Primeira Guerra Mundial ou a Guerra do Ultramar. Por isso seriam só os dois únicos pontos.
Pensei em recuar ao máximo esta história, por isso enquadrar o momento entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, porque efetivamente aquela zona do país era bastante isolada nessa altura. Era uma zona isolada até há relativamente pouco tempo. Quando eu comecei a ir para o norte do país, ainda havia alas e estradas que eram terra batida, que se nevasse o suficiente já estávamos relativamente isolados. Hoje em dia, como é óbvio, há viaturas de todo o terreno que chegam, mas naquela altura não. Eu precisava de um momento em que uma aldeia pudesse ficar efetivamente isolada numa montanha.
CM: Desenhas principalmente a preto e branco. Porquê?
Osvaldo Medina: O preto e branco é onde eu estou mais confortável. Todas as minhas histórias são a preto e branco. Já em outras histórias houve pessoas que fizeram a cor, mas a minha história onde eu estou confortável é no preto e branco.
Quando acabo tenho uma prancha acabada, perfeita. Como é óbvio aqui acrescentei o vermelho para salientar ali aquele lado, digamos, maligno da coisa.
CM: O que é que o vermelho acrescenta nesta obra?
Osvaldo Medina: Relembra a máscara do carete que é vermelho. São sempre vermelhos, no caso dos caretes pudenses, que é a referência que eu uso para esta história. Sempre que há o vermelho, há ali algo, digamos, que interfere na história. É a influência, digamos, maligna da personagem.
Quando há a passagem para o tempo da Primeira Guerra, os céus são sempre vermelhos. Acho que isso dá uma dimensão mais pesada à história.
CM: Qual foi o teu processo criativo? Começas com um desenho ou com uma história?
Osvaldo Medina: Nunca escrevo. Passo automaticamente para a parte de storyboard, ou seja, esquematizo as pranchas logo, dou pequenas ideias de texto, mas acima de tudo a minha ideia é sempre uma coisa muito visual. Tenho pequenas imagens que eu quero inserir na história: aquele momento da salamandra que sai da fogueira, etc. Essas coisas todas, que tornam uma coisa um bocado mais mística. Aquela parte do país, o norte de Portugal, está ali com um pé, tanto na tradição cristã, como em coisas que não têm nada a ver com tradição cristã. São coisas pré-cristãs e estão ali num equilíbrio, digamos assim.
CM: Estás a preparar uma nova banda desenhada solo?
Osvaldo Medina: Já estou a trabalhar noutra história, não do género do FOJO, mas parecida. Também passada no norte do país, também a brincar um bocado com estas tradições, mas passada no momento atual. Estou ali a cozinhar algo também assim meio sinistro. Também brinca com este meio termo, entre o divino e o maldito, talvez.
CM: Para acabar, tens uma mensagem para os jovens lusodescendentes?
Osvaldo Medina: Eu acho que a mensagem é: mantenham-se. Como é óbvio, estão a viver em outro país, são descendentes portugueses, mas mantenham sempre uma ligação ao vosso país. Não à origem, porque muitos já nasceram aí, mas às vossas raízes, acho que vale sempre a pena. É sempre estar ali a jogar entre duas coisas. Não esquecer de onde se vem.
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Convidamos toda a gente a seguir o trabalho de Osvaldo Medina e comprar a tradução em francês de FOJO pela editora FamiliaR.
Entrevista realizada pela Julie Carvalho,
Publié le 28/10/2026




