
Matu Miranda apresenta album Apuama em Paris
9 septembre 2026O cantor Bruno Berle apresentou o seu último Sem Fronteiras num concerto em Paris no dia 4 de setembro no Studio de l’Ermitage. Cap Magellan estava presente e obteve uma entrevista exclusiva.
Cap Magellan: O teu último álbum, Sem Fronteiras, foi publicado a 10 de julho passado. Como é que foi recebido?
Bruno Berle: Bem, eu sinto que é um álbum um pouco diferente do que eu vinha fazendo, de ser mais intimista. Também foge um pouco dessa onda brasileira de música super upbeat, ou sorridente. Não teve nem nada super alto e nem super baixo. Acho que foi equilibrado como a minha carreira é, calma.
CM: Qual é a mensagem principal que querias transmitir no álbum?
Bruno Berle: O título do álbum fala muito sobre o disco, então eu queria falar sobre música. O álbum é muito sobre música também, sobre a música em si, sobre ela ser nesse sentido, sem fronteiras, aberta para muitos lugares. Também sobre distância mesmo entre as pessoas e como a distância afeta os relacionamentos e os sentimentos como um todo. Também falar especialmente de amor, que é uma coisa que está muito presente na minha música, na minha vida, é o que me inspira e é o que vem de dentro.
CM: Estás aqui hoje em Paris para cantar no Studio de l’Ermitage. Como é que te sentes a poucas horas de ir ensaiar e cantar no palco?
Bruno Berle: Estou feliz, porque é sempre um grande privilégio tocar distante de onde eu nasci, me criei, numa cidade com tanta tradição na música. Então é sempre uma conquista tocar aqui. Sempre uma graça.
Hoje eu estou especialmente um pouco nervoso, no sentido de que vai ser um show muito intimista e sold out também. Então é um misto grande de emoções, assim, minha cabeça tá em muitos lugares, mas eu tô profundamente feliz e realizado já de agora.
CM: Desde a publicação do álbum No Reino dos Afetos, em 2022, como achas que a tua música e a tua carreira também, ao mesmo tempo, evoluíram?
Bruno Berle: De forma perene, calma, sensível. Isso foi muito bom para mim, para a minha cabeça, mas ao mesmo tempo também tive momentos de muita explosão e de trabalhar muito. Eu, para chegar até aqui, tive que trabalhar muito. Então, eu estou num momento onde estou um pouco cansado, assim, eu preciso levar a vida de outra forma. Eu estou fazendo muitos shows, eu preciso me acalmar um pouco, voltar a estar perto da minha família, da minha terra e continuar trabalhando com música de uma maneira mais calma, assim.
CM: Achas que é o teu corpo que precisa de descanso ou a tua cabeça?
Bruno Berle: Os dois. Eu preciso muito ter uma rotina, que é uma coisa que eu não consigo, desde que começou tudo isso. Eu fiquei um tempo em São Paulo, mas também fiquei um tempo aqui, aí fazendo shows, eu não consigo ter uma rotina.
É uma dificuldade, não só que a música trouxe, mas que a vida… Eu sempre fui assim, sempre foi difícil para mim chegar no horário, ser pontual, é muito complicado. A mente tem infinitas ideias, infinitas situações que eu preciso também organizar e tal.
CM: Para acabar essa entrevista, tens uma mensagem para os jovens lusodescendentes?
Bruno Berle: Dizer que a nossa música basta. A música feita em português no mundo todo, não perde para ninguém. A gente tem tudo, tem à disposição uma língua linda, interessantíssima, complexa. Eu acho que há um momento de ascensão da gente, de Cabo Verde, do Brasil, de Portugal, de Guiné, de Angola, etc. A gente tem que trabalhar para que essa união e esse momento gerem bons frutos para toda essa juventude que eu estou falando agora.
Convidamos toda a gente a seguir o trabalho de Bruno Berle e a ouvir o seu último álbum Sem Fronteiras.
Entrevista realizada pela Julie Carvalho,
Publié le 09/09/2026.




